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20h56
TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Processo

Cidadania por nascimento nos EUA sofre restrição de Trump

Medidas assinadas pela Casa Branca miram turismo de parto e tentam contornar decisão desfavorável da Suprema Corte.

Por Anderson Melo Publicado em 11/08/2026 às 20h17
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou decretos para restringir a cidadania por nascimento a filhos de mães estrangeiras e diplomatas. A medida afeta imigrantes sem residência permanente no país.

2>Como funciona a cidadania por nascimento nos Estados Unidos?

A 14ª Emenda da Constituição norte-americana garante nacionalidade automática a quem nasce em solo estadunidense. Essa regra assegura direitos políticos e civis integrais desde o nascimento, prevendo poucas exceções legais, como para filhos de diplomatas e de integrantes de forças estrangeiras ocupantes.

Os atos assinados na Casa Branca estabelecem diretrizes administrativas sem valor juridicamente vinculante. O objetivo central é coibir o turismo de parto, quando estrangeiras viajam aos Estados Unidos especificamente para dar à luz. Segundo estimativa do Centro de Estudos sobre Imigração relativa aos anos de 2016 e 2017, entre 20 mil e 25 mil mulheres entraram no território americano para essa finalidade. O total de nascimentos no país foi de 3,6 milhões em 2025.

As novas regras também tentam retirar a cidadania de filhos de funcionários de governos estrangeiros e de pessoas enquadradas como inimigos externos. O texto prevê ainda impactos sobre nascidos em territórios dependentes dos Estados Unidos, caso ocorra a aprovação de lei específica pelo Congresso americano.

2>O que a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu sobre o tema?

A Suprema Corte dos Estados Unidos considerou inconstitucional a tentativa do governo de barrar a cidadania automática por nascimento. Por um placar de 6 a 3, em julgamento encerrado em 30 de junho, o tribunal reafirmou que a proteção constitutional abrange todas as pessoas nascidas livres no país.

Em despacho judicial, o presidente da corte, John Roberts, destacou que os elaboradores da norma estenderam a promessa de cidadania universalmente no território nacional. Apesar da derrota no Judiciário, o Poder Executivo argumenta que as novas determinações administrativas não descumprem a ordem judicial anterior.

No primeiro mandato presidencial, uma regulamentação federal aprovada em 2020 já proibia a emissão de vistos temporários de turismo para a obtenção de cidadania. Atualmente, condutas associadas a esquemas fraudulentos de viagem para parto continuam sujeitas a processos criminais. Especialistas preveem que os novos decretos federais serão objeto de novos questionamentos perante o Poder Judiciário.

Perguntas frequentes

O que é turismo de parto?
O termo se refere à viagem de mulheres grávidas aos Estados Unidos com o objetivo principal de dar à luz no país. A prática busca garantir a cidadania americana automática para o recém-nascido, respaldada pela legislação sobre nascimento em solo nacional.
Decretos de Donald Trump mudam a Constituição dos EUA?
Decretos presidenciais não possuem força juridicamente vinculante nem capacidade de alterar a Constituição. A alteração das regras de cidadania por nascimento exige mudança constitucional ou decisão judicial favorável, sendo que a Suprema Corte dos Estados Unidos já declarou a restrição inconstitucional.
Quem é afetado pelas restrições de cidadania?
Os atos presidenciais visam atingir mães que viajam com visto de turismo para ter filhos nos Estados Unidos, além de crianças filhas de diplomatas ou de indivíduos classificados como inimigos estrangeiros. O alcance definitivo depende de validação do Poder Judiciário.

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