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TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Trabalho

STJ pune ministro Marco Buzzi com perda de cargo

Decisão unânime aplica pena inédita de disponibilidade após denúncias de crimes sexuais no tribunal.

Por Anderson Melo Publicado em 11/08/2026 às 20h14
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STJ pune ministro Marco Buzzi com perda de cargo
Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

O Plenário do Superior Tribunal de Justiça (STJ) puniu o ministro Marco Buzzi com a disponibilidade do cargo em sessão realizada na quinta-feira (6). A medida atinge o magistrado investigado por acusações de conduta sexual imprópria.

O julgamento ocorreu a portas fechadas a partir das 9h30 de quinta-feira (6). Todos os 28 ministros presentes votaram pela condenação do magistrado. A sanção transforma o afastamento temporário, aplicado desde 10 de fevereiro, em uma medida permanente.

O que significa a pena de disponibilidade para um juiz?

A disponibilidade é uma punição administrativa na qual o magistrado fica afastado das funções e deixa de exercer a atividade do cargo. Durante esse período, o julgador recebe remuneração com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço prestado até o momento em que sofreu a sanção disciplinar.

Esta foi a primeira aplicação dessa penalidade com perda de cargo no país desde a regulamentação aprovada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A Procuradoria-Geral da República (PGR) alterou seu posicionamento no processo e solicitou a aplicação da penalidade máxima ao magistrado do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Embora a condenação tenha sido unânime, quatro ministros defenderam uma punição diferente. Os ministros João Otávio de Noronha, Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Gurgel de Faria votaram pela aposentadoria compulsória, que é uma sanção menos rigorosa mantida em legislações anteriores.

Como ocorre a perda definitiva do salário de um magistrado?

A perda total do cargo e o fim dos pagamentos dependem de uma ação judicial própria movida pela Advocacia-Geral da União (AGU). Essa exigência segue o entendimento fixado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) em maio, ao considerar inconstitucional a aposentadoria compulsória como punição limite.

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu esse rito em maio. Sem a nova ação proposta pela Advocacia-Geral da União (AGU), o magistrado suspenso continua recebendo os valores proporcionais autorizados pela legislação administrativa vigente.

Quais acusações foram feitas contra o ministro Marco Buzzi?

O ministro Marco Buzzi enfrentou duas denúncias de crimes sexuais analisadas por uma sindicância interna do tribunal. Uma acusação partiu de uma jovem de 18 anos durante um banho de mar. A segunda denúncia envolveu uma servidora do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que relatou assédio no gabinete.

As alegações foram investigadas por uma comissão formada por três ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A primeira denunciante afirmou ter sido abordada na casa de praia do magistrado enquanto era hóspede da família. A outra acusação partiu de uma funcionária pública lotada no gabinete do magistrado.

Marco Buzzi exerceu o cargo de ministro por 14 anos e acompanhou a sessão ao lado dos advogados. A defesa informou em nota que discorda do resultado do julgamento e reafirmou a inocência do acusado. A equipe jurídica sustentou que reuniu provas capazes de demonstrar que os relatos apresentados pelas denunciantes não ocorreram. Os advogados podem recorrer da decisão ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Perguntas frequentes

Qual foi a decisão do STJ sobre o ministro Marco Buzzi?
O Plenário do Superior Tribunal de Justiça (STJ) aprovou por unanimidade dos 28 ministros a condenação do ministro Marco Buzzi à pena de disponibilidade com perda do cargo. A medida decorre do julgamento administrativo de acusações por crimes sexuais apresentadas por duas mulheres.
O ministro Marco Buzzi continuará recebendo salário?
Sim. Com a pena de disponibilidade, Marco Buzzi é afastado do cargo, mas recebe pagamentos proporcionais ao tempo de serviço. A interrupção total dos salários depende do ajuizamento de uma ação específica pela Advocacia-Geral da União (AGU).
A defesa de Marco Buzzi ainda pode recorrer da punição?
Sim. A defesa do ministro Marco Buzzi declarou discordância dos fundamentos do julgamento e pode contestar a punição administrativa. Os advogados do magistrado têm o direito de apresentar recurso contra a condenação diretamente perante o Supremo Tribunal Federal (STF).

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