Lei das Contravenções Penais tem validade julgada no STF
Supremo analisa se punição a jogos de azar e caça-níqueis foi mantida pela Constituição de 1988

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou a análise sobre a constitucionalidade da Lei das Contravenções Penais em julgamento iniciado em uma quarta-feira (5). A decisão atinge comerciantes e operadores de apostas ilegais em todo o território nacional.
A discussão teve origem em um recurso interposto pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). O órgão contestou uma decisão da Justiça estadual gaúcha que considerou que o texto de 1941, assinado pelo então presidente Getúlio Vargas, não teria sido recepcionado pela Constituição Federal de 1988. A ação teve como base o caso de um comerciante condenado por manter três máquinas caça-níqueis em seu ponto comercial.
O que é a Lei das Contravenções Penais?
A Lei das Contravenções Penais é uma norma criada em 1941 que pune ilícitos de menor gravidade, chamados de contravenção penal (infrações penais de menor potencial ofensivo). A lei estabelece sanções para a exploração de jogos de azar e prevê multas entre R$ 2 mil e R$ 200 mil aos praticantes do jogo.
O foco do debate no Supremo Tribunal Federal está no artigo 50 da legislação. O texto tipifica como infração penal a exploração de jogos de azar em locais públicos ou acessíveis ao público. A penalidade financeira para os apostadores varia de R$ 2 mil a R$ 200 mil.
Por que o STF está julgando os jogos de azar?
O Supremo Tribunal Federal (STF) analisa um recurso do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) contra a decisão da Justiça gaúcha que declarou a lei incompatível com a ordem constitucional de 1988. O tribunal precisa decidir se a proibição da atividade ilegal continua válida nacionalmente.
Durante a sessão, o relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, iniciou a leitura de seu voto após as sustentações orais das partes. O ministro Luiz Fux afirmou que o julgamento busca equilibrar os direitos do cidadão com a aplicação do Direito Penal, concentrando-se na tipicidade ou não da exploração de jogos ilegais, sem foco individual nos apostadores.
A procuradora Flávia Raphael Mallmann, representante do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), defendeu a manutenção da punição. A procuradora argumentou que a exploração indiscriminada de jogos traz impactos sociais e sanitários, como o superendividamento e o vício em apostas. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também defendeu a constitucionalidade do dispositivo, ressaltando que a norma é fundamental para coibir modalidades não autorizadas, mesmo após a legalização das apostas eletrônicas.
Como o julgamento afeta donos de estabelecimentos?
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) afetará diretamente os comerciantes que mantêm equipamentos de apostas não autorizados. O caso concreto envolve a condenação de um comerciante por manter três máquinas caça-níqueis. Se a lei for anulada, a exploração dessas máquinas deixa de constituir infração penal.
O julgamento no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) foi suspenso ao fim da primeira sessão e com previsão de retomada em uma quinta-feira (6). A definição do julgamento fixará a interpretação constitucional aplicável a instâncias inferiores do Judiciário brasileiro.
Perguntas frequentes
O que o STF está julgando sobre a Lei das Contravenções Penais?
Quem pode ser punido por exploração de jogos de azar?
A regulamentação das apostas virtuais anula a lei antiga?
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