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TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Criminal

Crime ambiental na Baía de Guanabara gera denúncia do MPF

Empresas de reparo naval responderão por poluição hídrica e operação sem licença ambiental no Rio de Janeiro.

Por Anderson Melo Publicado em 11/08/2026 às 20h17
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Crime ambiental na Baía de Guanabara gera denúncia do MPF
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Ministério Público Federal denunciou duas empresas de manutenção naval por lançar resíduos perigosos na Baía de Guanabara. O crime ambiental ocorreu durante o funcionamento clandestino de um estaleiro no Rio de Janeiro.

Por que o MPF denunciou as empresas de reparo naval?

O Ministério Público Federal formalizou a denúncia porque as empresas operaram um estaleiro sem licença ambiental e descartaram resíduos perigosos na Baía de Guanabara. A fiscalização constatou vazamento de óleo e estocagem inadequada de inflamáveis no bairro do Caju, gerando sérios prejuízos ecológicos para a região portuária do Rio de Janeiro.

A atuação irregular das companhias Selano Trade Reparos Navais e PSA Reparos Navais durou de fevereiro de 2018 a fevereiro de 2025. Ao longo desses sete anos, o estaleiro situado no bairro do Caju funcionou comercialmente sem as autorizações legais exigidas pelos órgãos de proteção ambiental.

Durante a operação do estabelecimento, materiais nocivos acabaram abandonados ou armazenados sem os cuidados devidos. O descarte inadequado permitiu que fluidos poluentes e compostos químicos chegassem ao espelho d'água da Baía de Guanabara, provocando a degradação do ecossistema local.

Quais irregularidades ambientais foram encontradas no estaleiro?

Os peritos identificaram isotanques com resíduos oleosos, cilindros de gás liquefeito de petróleo espalhados pelo imóvel e instalações clandestinas de abastecimento. Além disso, materiais perigosos ficavam depositados perto dos contêineres e na margem da Baía de Guanabara, provocando contaminação direta da água durante as atividades do estaleiro.

A apuração começou em fevereiro de 2025, durante uma vistoria conduzida pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) em conjunto com a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA). No momento da inspeção, as equipes constataram que a manutenção de embarcações continuava ativa no local.

Um laudo técnico emitido pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) atestou a ausência completa do licenciamento ambiental. Os peritos registraram ainda a presença de oxigênio e óleo diesel usados em soldagens mantidos sem normas de segurança.

Em depoimento às autoridades policiais e ao Ministério Público Federal, o administrador responsável pelas duas empresas admitiu que a estrutura trabalhava sem a licença exigida. Embora tenha mencionado entraves referentes ao terreno ocupado pelo empreendimento, o órgão ministerial destacou que o cumprimento das regras ambientais e a gestão dos resíduos cabiam exclusivamente à administração do negócio.

Qual é o valor cobrado para a reparação dos danos ambientais?

O Ministério Público Federal solicitou o pagamento mínimo de R$ 1,45 milhão como indenização pelos prejuízos causados. O montante estipulado na ação penal corresponde a 50% dos ganhos financeiros estimados que o estaleiro obteve durante o período em que operou clandestinamente na Baía de Guanabara.

A reparação financeira pedida na ação penal busca compensar o impacto ecológico causado pelo descarte de rejeitos e substâncias tóxicas ao longo dos anos de atividade sem fiscalização prévia.

Perguntas frequentes

Quais empresas foram denunciadas por poluição na Baía de Guanabara?
O Ministério Público Federal denunciou as empresas Selano Trade Reparos Navais e PSA Reparos Navais. As duas organizações operavam um estaleiro de reparo naval sem licença ambiental no bairro do Caju, na zona portuária do Rio de Janeiro, acumulando e descartando resíduos perigosos diretamente nas águas locais.
Qual é o valor da indenização cobrada pelo MPF?
O Ministério Público Federal solicitou na ação penal o pagamento mínimo de R$ 1,45 milhão para reparação dos danos ambientais. Essa quantia equivale a 50% do faturamento que o órgão calcula ter sido arrecadado com as operações irregulares do estaleiro ao longo de sete anos de funcionamento.
Como foi descoberta a poluição na Baía de Guanabara?
A poluição veio à tona após uma fiscalização realizada pelo Instituto Estadual do Ambiente com apoio da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente em fevereiro de 2025. Na ocasião, laudos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli confirmaram a inexistência de licença ambiental e a degradação na área.

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