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Criminal

Iprev Maceió: PF investiga R$ 97 milhões no Banco Master

Mandados expedidos pelo STF miram o ex-diretor-presidente do instituto, o atual secretário de Fazenda de Maceió e uma consultoria; bens de seis investigados ficam indisponíveis.

Por Anderson Melo Publicado em 10/08/2026 às 16h34
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Iprev Maceió: PF investiga R$ 97 milhões no Banco Master
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) cumpriram oito mandados de busca e apreensão para apurar a aplicação de R$ 97 milhões da previdência dos servidores públicos de Maceió em papéis do Banco Master, liquidado em 2025.

A operação ocorreu em 10 de agosto de 2026, em cidades de Alagoas e de São Paulo. Os mandados foram expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também decretou a indisponibilidade de bens móveis, imóveis e de valores de seis investigados, até o limite global de R$ 97 milhões.

O que a Polícia Federal investiga no Iprev de Maceió?

A Polícia Federal apura suspeita de gestão fraudulenta — a condução deliberadamente irregular de dinheiro de terceiros — em duas compras de letras financeiras, títulos de dívida emitidos por bancos, do Banco Master. Em dezembro de 2023, o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) aplicou R$ 97 milhões. Em maio de 2024, mais R$ 17 mil.

A apuração quer reconstituir o credenciamento do banco, a cotação de alternativas, a análise de risco e a decisão que antecederam os aportes. Na decisão, André Mendonça registra que a autoridade policial afirma haver indícios de “possível direcionamento dos investimentos e exposição desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de risco elevado e liquidez reduzida”. Segundo o despacho, as autorizações internas de aplicação e resgate teriam sido preenchidas com “justificativas genéricas e padronizadas”.

Quem são os investigados na operação da PF?

São seis os investigados alcançados pelas buscas e pelo bloqueio de bens. O grupo reúne ex-dirigentes e integrantes de colegiados do Iprev, uma servidora da Secretaria Municipal da Fazenda de Maceió e um dirigente da consultoria contratada pelo instituto de previdência:

  • João Felipe Alves Borges, atual secretário de Fazenda de Maceió, que integrava o Conselho de Administração do Iprev à época dos fatos apurados;
  • Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-diretor-presidente do Iprev;
  • Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev;
  • Marcelo Brasileiro Santos, integrante do Comitê de Investimentos do Iprev;
  • Marília Alexandre de Lima Alves, da Secretaria Municipal da Fazenda;
  • Renan Foglia Calamia, dirigente da Crédito & Mercado.

O que a consultoria contratada pelo Iprev tem a ver com o caso?

A Crédito & Mercado de Valores Mobiliários foi contratada pelo Iprev e teria participado do credenciamento do Banco Master, da elaboração e validação de análises e da montagem documental das operações, segundo a Polícia Federal. Para a corporação, o arranjo configura “terceirização indevida da competência administrativa” do instituto de previdência.

As buscas alcançaram endereços residenciais e comerciais dos seis investigados e também as sedes do Iprev e da Crédito & Mercado. André Mendonça autorizou a apreensão de computadores, discos rígidos, pendrives, telefones pessoais e corporativos, contratos, agendas, anotações e comprovantes financeiros.

Aposentados e pensionistas de Maceió correm risco de não receber?

O Iprev afirma que não. Em nota, o instituto de previdência sustenta que “os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis” e informa que o patrimônio saiu de cerca de R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão, o que garantiria “a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas”. O Iprev diz colaborar com as autoridades.

Por que o Banco Master foi liquidado?

O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025. Trata-se do encerramento forçado de uma instituição financeira por decisão da autoridade monetária, com um liquidante nomeado para apurar dívidas e vender ativos. Ao anunciar a medida, o Banco Central informou que o Banco Master havia violado normas do Sistema Financeiro Nacional e enfrentava grave crise de liquidez. O banco pertencia ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Busca e apreensão e indisponibilidade de bens são medidas de investigação: não equivalem a acusação formal nem a condenação. Nenhum dos seis investigados foi localizado para se manifestar até a publicação desta reportagem, que permanece aberta a esclarecimentos.

Perguntas frequentes

Quanto dinheiro do Iprev de Maceió foi aplicado no Banco Master?
O Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) aplicou R$ 97 milhões em letras financeiras do Banco Master em dezembro de 2023 e mais R$ 17 mil em maio de 2024, segundo a Polícia Federal. As duas operações são o alvo da apuração de suspeita de gestão fraudulenta.
O que significa indisponibilidade de bens decretada pelo STF?
Indisponibilidade de bens é o bloqueio temporário de imóveis, veículos e valores para garantir eventual reparação de prejuízo. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, aplicou a medida aos seis investigados até o limite global de R$ 97 milhões. O bloqueio não transfere os bens nem indica condenação.
Aposentados e pensionistas de Maceió deixam de receber por causa da investigação?
O Iprev afirma que o pagamento está garantido. Segundo o instituto de previdência, o patrimônio passou de cerca de R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão, o que asseguraria a capacidade de pagamento. A Polícia Federal não anunciou suspensão de benefícios.
O que aconteceu com o Banco Master?
O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025, sob o argumento de violação de normas do Sistema Financeiro Nacional e grave crise de liquidez. A instituição pertencia ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e teve as atividades encerradas por decisão da autoridade monetária.
Quem é investigado na operação da PF sobre o Iprev de Maceió?
São seis investigados: o atual secretário de Fazenda de Maceió, João Felipe Alves Borges; o ex-diretor-presidente do Iprev, Ronnie Reyner Teixeira Mota; o ex-coordenador-geral de Investimentos Gustavo Antônio Rodrigues de Souza; Marcelo Brasileiro Santos, do Comitê de Investimentos; Marília Alexandre de Lima Alves, da Fazenda municipal; e Renan Foglia Calamia, da Crédito & Mercado.

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