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TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Criminal

MPSP investiga ação de policiais militares em escola de SP

Promotoria apura conduta de agentes armados após queixa sobre atividade referente à orixá Iansã em escola municipal

Por Anderson Melo Publicado em 11/08/2026 às 20h16
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O Ministério Público de São Paulo (MPSP) abriu investigação para apurar a conduta de 12 policiais militares armados que entraram em uma escola municipal na capital paulista em 11 de novembro de 2025.

A apuração tramita por meio de um inquérito civil, procedimento administrativo usado pelo Ministério Público para investigar possíveis danos a interesses sociais e direitos coletivos. O caso começou quando o pai de uma aluna de 4 anos da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Antônio Bento, na Zona Oeste paulistana, questionou uma aula sobre a orixá Iansã.

O homem é integrante da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PM) e acabou indiciado por intolerância religiosa pela Polícia Civil do Estado de São Paulo. De acordo com o MPSP, a análise de depoimentos, documentos e imagens das câmeras corporais dos agentes indicou que a entrada da equipe na unidade escolar foi injustificada.

Como o MPSP avalia a atuação dos policiais na escola?

O Ministério Público de São Paulo entende que a atuação de 12 agentes armados dentro da unidade de ensino infantil foi injustificada, pois não existiam elementos indicativos de crime no local. A promotoria investiga suspeitas de discriminação racial, abordagem violenta e cerceamento do direito à educação antirracista.

O promotor de Justiça Bruno Orsino Simonetti abriu o procedimento para verificar o cumprimento de regras pedagógicas e do direito constitucional à educação. O órgão ministerial examina se houve violação à liberdade de ensino e constrangimento aos profissionais da escola municipal.

A apuração foca em três pontos centrais:

  • A verificação de atos de discriminação racial durante a intervenção policial;
  • O uso abusivo da força em ambiente escolar de educação infantil;
  • O impacto da ação na implementação da educação para relações étnico-raciais.

O que a lei diz sobre o ensino de culturas afro-brasileiras?

A legislação educacional brasileira obriga o ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena em todas as escolas. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, a atividade pedagógica contestada estava respaldada pelo Currículo da Cidade e pelas Leis Federais 10.639/2003 e 11.645/2008.

As diretrizes nacionais para a educação estabelecem que o aprendizado sobre manifestações culturais afro-brasileiras integra o Currículo da Cidade e cumpre o previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). A Secretaria Municipal de Educação (SME) defendeu que a professora agiu estritamente dentro das orientações pedagógicas oficiais.

A Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP-SP) sustentou, em apuração preliminar, que os policiais agiram dentro da legalidade. A pasta estadual concluiu que não era necessário instaurar Sindicância ou Inquérito Policial Militar para averiguar o episódio.

Mesmo com o posicionamento da segurança pública estadual, o MPSP manteve a apuração cível. A Promotoria busca resguardar o livre exercício docente e garantir a segurança das crianças matriculadas na rede municipal de ensino.

Perguntas frequentes

Por que o MPSP abriu inquérito contra os policiais?
O Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito civil, procedimento administrativo que apura lesões a direitos coletivos, por considerar que não havia ocorrência de crime que justificasse a entrada de agentes armados na escola. O órgão avalia se ocorreu discriminação racial, conduta violenta e desrespeito ao direito à educação.
A atividade pedagógica sobre orixás é permitida na escola?
A Secretaria Municipal de Educação declarou que a aula sobre a orixá Iansã cumpre diretrizes de ensino antirracista e as leis federais 10.639/2003 e 11.645/2008. A legislação brasileira estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena na Educação Básica.
O que aconteceu com o pai da aluna?
O pai da estudante, que integra a Polícia Militar do Estado de São Paulo, acabou indiciado pela Polícia Civil do Estado de São Paulo por intolerância religiosa. A decisão ocorreu no âmbito das apurações policiais sobre o episódio registrado na escola municipal localizada na Zona Oeste paulistana.

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