Operação Lívia combate indução ao suicídio na internet
Ação do Ministério da Justiça e da Polícia Civil desarticula grupo criminoso que coagia crianças e adolescentes em plataformas digitais.

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apresentaram os resultados da Operação Lívia, que combate uma organização criminosa acusada de induzir crianças e adolescentes ao suicídio na internet.
A investigação policial começou após a morte de uma adolescente de 13 anos, ocorrida no dia 22 de julho. A jovem residia em Naviraí, município localizado a 365 km de Campo Grande. A vítima transmitiu o ato ao vivo na rede social Discord durante 45 minutos. Antes do suicídio, integrantes do grupo criminoso coagiram a jovem a torturar e matar um animal doméstico, ação executada sem êxito.
Como funcionava o grupo criminoso investigado na Operação Lívia?
O grupo criminoso atraía crianças e adolescentes para comunidades virtuais para exercer coerção psicológica sobre as vítimas. Os suspeitos exigiam o cumprimento de desafios envolvendo violência contra animais, atos de automutilação e induzimento ao suicídio, além de abrirem contas bancárias sem autorização familiar para financiar os atos.
A apuração policial revelou que os criminosos abriram uma chave Pix no nome da adolescente sem o conhecimento da mãe da vítima. Segundo o delegado de Polícia Civil do Piauí e representante do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), Alessandro Barreto, “Os próprios criminosos criaram chave Pix para menina, mandavam dinheiro para comprar gillette, para se automutilar e tudo.”
A atuação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e do Ciberlab identificou outra vítima em potencial em outro estado. As autoridades conseguiram intervir a tempo e evitaram um novo suicídio programado para ocorrer em uma transmissão ao vivo. O delegado Alessandro Barreto informou: "Estamos vendo os nomes de outras possíveis vítimas para mandar avisar aos pais e responsáveis para que fiquem atentos”.
Quais foram os resultados da Operação Lívia até agora?
A operação policial cumpriu 8 mandados de busca e apreensão e resultou na apreensão de 5 adolescentes e na prisão de 1 homem. As ordens judiciais ocorreram no Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro, com apoio das polícias civis locais e do governo federal.
A investigação apurou que os suspeitos utilizavam o serviço de mensageria Telegram e tinham entre 13 e 18 anos. O jovem suspeito de liderar a organização criminosa é um adolescente de 14 anos, localizado no Rio de Janeiro. Outro investigado pela Polícia Civil é um estudante seminarista de um mosteiro de Pernambuco. As polícias civis analisarão os materiais apreendidos para identificar outros possíveis integrantes.
Por que as redes sociais Discord e Telegram são investigadas?
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apontou que as plataformas falharam na verificação de idade e na interrupção de transmissões ao vivo com conteúdos ilegais. As empresas descumpriram obrigações do ECA Digital e não notificaram as autoridades de segurança pública.
O secretário Nacional de Direitos Digitais do MJSP, Victor Fernandes, afirmou que o Discord e o Telegram violaram o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (Lei nº 15.211/2025), o Marco Civil da Internet (Decreto 2.975/2026) e o Decreto de Proteção de Mulheres no Ambiente Digital (nº 12.976/2026). Victor Fernandes declarou: “Pelo ECA Digital, o Discord teria a obrigação de derrubar esses conteúdos e comunicar imediatamente às autoridades policiais, para que as autoridades policiais pudessem agir antes que esses resultados acontecessem. E isso não foi feito”. O MJSP acionará a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
Diante dos fatos, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, orientou os familiares: “Redobrem a atenção no cuidado com os seus filhos, com as crianças, com os adolescentes, no contato com esses conteúdos, em função dos graves eventos que foram reportados aqui.”
Perguntas frequentes
O que é a Operação Lívia do Ministério da Justiça?
Quais redes sociais foram investigadas na Operação Lívia?
Como os criminosos agiam contra as vítimas na internet?
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