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TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Agrário

Venda de terras a estrangeiros é suspensa na Argentina

Governo Milei retira da pauta do Senado proposta que ampliava limite de propriedade internacional após mobilização social e política.

Por Anderson Melo Publicado em 11/08/2026 às 20h17
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O governo da Argentina retirou do Senado a proposta para ampliar a venda de terras a estrangeiros na última quinta-feira (6). A decisão ocorreu após forte pressão política e protestos populares em defesa da soberania territorial.

Como funcionaria a nova regra para estrangeiros na Argentina?

A proposta pretendia elevar de 15% para 25% o limite máximo de propriedades rurais pertencentes a estrangeiros em cada província. Inicialmente, o Executivo buscou eliminar todos os limites de compra territorial, sustentando que as barreiras atuais prejudicam investimentos internacionais no país.

O projeto integra um conjunto mais amplo de alterações legislativas denominado Lei de Inviolabilidade da Propriedade Privada. Essa iniciativa do presidente Javier Milei prevê acelerar despejos, dificultar expropriações estatais e flexibilizar a comercialização de reservas ambientais. Antes de submeter o texto ao Poder Legislativo, o Executivo editou um decreto de necessidade e urgência em dezembro de 2023 para tentar revogar os limites, mas a medida foi suspensa pelo Poder Judiciário.

Quais fatores mobilizaram a oposição ao projeto territorial?

A oposição ao projeto reuniu governadores estaduais, lideranças políticas, ambientalistas e celebridades argentinas. A mobilização ganhou força nacional após manifestações públicas que associaram a proteção do território argentino à memória histórica da guerra travada pelo controle das Ilhas Malvinas na década de 1980.

A articulação contrária à medida envolveu figuras públicas como a cantora Lali Espósito, que possui 11,9 milhões de seguidores em rede social, o cantor Milo J e a artista Nicki Nicole, que conta com mais de 22 milhões de seguidores em uma única plataforma. O jogador Lisandro Martínez, zagueiro da seleção argentina de futebol, e o Centro de Ex-combatentes das Ilhas Malvinas (Cecim La Plata) também aderiram aos protestos.

Análises políticas indicam que governadores de províncias pressionaram os senadores de suas regiões a rejeitarem o texto. A discussão causou divergências internas no próprio governo, incluindo a posição contrária da vice-presidente Victoria Villarruel e a rejeição de senadores aliados, como Alfredo De Angeli e Maximiliano Abad, que criticaram a permissão de compra de solo por cidadãos estrangeiros.

O que muda na legislação sobre áreas atingidas por incêndios?

Embora tenha recuado no limite de terras para estrangeiros, o governo manteve em pauta o item que permite a venda de áreas protegidas queimadas. A legislação vigente proíbe a comercialização desses terrenos por 30 anos para conter queimadas criminosas voltadas ao interesse imobiliário.

A lei em vigor foi aprovada em 2020 para impedir a especulação imobiliária e a mudança de uso do solo após queimadas em florestas nativas e regiões úmidas. Críticos e ambientalistas, como o professor Hernán Hougassian da Universidade de Buenos Aires, alertam que a alteração da norma pode incentivar destruições ambientais intencionais para viabilizar empreendimentos comerciais.

A Casa Rosada alegou que está reavaliando o projeto de alienação territorial a estrangeiros, sem confirmar o arquivamento definitivo da proposta. Por outro lado, o governo defende a alteração na lei de incêndios sob a justificativa de que os prazos atuais violam o direito de propriedade e não garantem proteção ambiental efetiva.

Perguntas frequentes

O que previa o projeto de venda de terras na Argentina?
A proposta enviada ao Senado da Argentina previa ampliar de 15% para 25% o limite máximo de terras que podem pertencer a estrangeiros em cada província. A versão original do texto buscava eliminar totalmente qualquer restrição para aquisições territoriais por cidadãos ou empresas de outros países.
Por que o governo Milei recuou na votação da proposta?
O governo Javier Milei recuou devido à falta de apoio no Senado e à pressão de manifestações populares. A resistência reuniu governadores de diversos partidos, artistas renomados, ambientalistas e organizações de ex-combatentes das Ilhas Malvinas, que consideraram a medida uma ameaça à soberania territorial da Argentina.
Qual a regra atual para áreas afetadas por incêndios na Argentina?
A legislação aprovada em 2020 proíbe a venda de áreas de proteção ambiental queimadas por um prazo mínimo de 30 anos. Essa restrição impede que incêndios intencionais facilitem mudanças no uso do solo para empreendimentos imobiliários ou comerciais nas regiões afetadas.

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