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21h29
WED., 19 DE AGO. DE 2026
Processo

STF torna réu deputado Gilvan da Federal por injúria

Primeira Turma aceitou denúncia da PGR por unanimidade após parlamentar desejar a morte de Lula em comissão da Câmara.

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Primeira Turma aceitou denúncia da PGR por unanimidade após parlamentar desejar a morte de Lula em comissão da Câmara.
Foto: José Cruz/Agência Brasil

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) transformou o deputado federal Gilvan da Federal em réu pelo crime de injúria contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em decisão unânime tomada nesta terça-feira (18 de agosto).

O tribunal aceitou o pedido formal de acusação apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A decisão abre uma ação penal contra o congressista na corte.

O que motivou a denúncia contra o parlamentar

O caso começou quando o deputado discursou durante uma sessão da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados em abril do ano anterior. Na ocasião, Gilvan proferiu xingamentos e desejou a morte do presidente da República, compartilhando o vídeo em perfis digitais logo depois.

A PGR denunciou o congressista ao STF por considerar que as declarações ultrapassaram as funções do cargo e configuraram ofensa à honra. O material publicado na internet serviu como base para a acusação criminal de injúria.

Os limites da imunidade parlamentar

Os ministros rejeitaram o argumento de que as falas estavam blindadas pela imunidade parlamentar — regra constitucional que protege opiniões, palavras e votos de deputados e senadores no exercício da atividade legislativa.

A relatora da ação, ministra Cármen Lúcia, afirmou em seu voto que a proteção constitucional não abrange excessos que geram ofensas diretas e sem relação com o mandato, sobretudo quando divulgadas na internet.

A imunidade parlamentar não foi feita para ofender pessoas, para agredir. Foi feita para discutir assuntos, fiscalizar os demais poderes.

Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal

O ministro Alexandre de Moraes acompanhou a relatora e sustentou que agressões verbais praticadas por integrantes do Congresso têm ocorrido com frequência. O ministro Flávio Dino foi o último a votar e pontuou que a garantia constitucional não tem caráter absoluto.

O ministro Cristiano Zanin declarou impedimento por ter atuado como advogado pessoal de Lula antes de ingressar no STF e ficou de fora da votação.

O que muda na tramitação do processo

Com o recebimento da denúncia, o deputado passa formalmente da condição de investigado para a de réu perante o STF. A defesa havia pedido o arquivamento das acusações com base na proteção do mandato, mas a solicitação foi rejeitada pelo colegiado.

Nada muda de imediato quanto ao mandato parlamentar: o processo entra agora na fase de instrução, em que o tribunal ouvirá testemunhas e colherá provas antes de julgar o mérito da acusação.

Perguntas frequentes

Por que Gilvan da Federal virou réu no STF?
O deputado virou réu após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal aceitar a denúncia da Procuradoria-Geral da República. O tribunal entendeu que ele cometeu injúria ao xingar e desejar a morte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em discurso reproduzido na internet.
O que alegou a defesa do deputado no STF?
A defesa de Gilvan da Federal pediu o arquivamento do processo sob a alegação de que os discursos e publicações estavam totalmente acobertados pela imunidade parlamentar prevista na Constituição, argumento que os ministros rejeitaram por unanimidade.
Por que o ministro Cristiano Zanin não votou?
O ministro Cristiano Zanin declarou impedimento legal e não participou do julgamento porque trabalhou na defesa particular do presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes de tomar posse como integrante do Supremo Tribunal Federal.
O deputado perde o mandato agora?
Não. A aceitação da denúncia apenas dá início à ação penal no Supremo Tribunal Federal. O deputado passa a responder ao processo como réu e aguardará o julgamento definitivo sobre condenação ou absolvição.

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