Conaq lança plano de proteção para 500 mulheres quilombolas
Documento de 85 páginas exige garantias territoriais, suporte de segurança e ações de combate ao acirramento dos conflitos no campo.

A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) apresentou um plano emergencial para proteger 500 lideranças femininas ameaçadas por conflitos no campo. O documento exige proteção territorial e resposta rápida do Estado contra a violência urbana e rural.
Exigências do plano de proteção
O documento direcionado aos órgãos públicos possui 85 páginas com reivindicações de segurança coletiva e direitos fundamentais. A iniciativa responde diretamente ao aumento da violência no campo e nas áreas ambientais.
O plano exige revisões com recorte de gênero e raça, investimentos em infraestrutura social e correção de falhas nos programas governamentais de proteção. A coordenadora do Coletivo de Mulheres da Conaq, Selma Dealdina, afirma que o texto busca proteger mulheres que atuam na linha de frente de territórios ameaçados. Entre as ações previstas em curto prazo estão a publicação de cartilhas pedagógicas e formações para atuação política das comunidades.
Dentro dos territórios quem lidera a produção são as mulheres. Seja na agricultura familiar, na medicina tradicional, no artesanato ou na farinha, cada estado traz uma identidade única determinada pelo seu bioma.
Cida Souza, coordenadora do Coletivo de Mulheres da Conaq
Cida Souza, coordenadora do Coletivo de Mulheres da Conaq
Denúncia e exibição de documentário
Durante o encontro na região do Gama, no Distrito Federal, a Conaq exibiu o documentário Cafuné, dirigido por Gabriela Barreto, Maryellen Crisóstomo e Nathália Purificação. A obra retrata a rotina de opressão vivida em áreas sob disputa e relembra crimes contra lideranças brasileiras.
O filme cita expressamente o homicídio de Mãe Bernadete, ocorrido em agosto de 2023. Segundo a coordenadora executiva da Conaq, Sandra Braga, a reunião das comunidades serve para compartilhar dores e fortalecer a resistência ancestral nos biomas. A jornalista Maria Júlia Coutinho também participou do debate para tratar da comunicação como ferramenta de transformação comunitária.
Aplicação das medidas e próximos passos
Por se tratar de um documento de reivindicação política, a proposta da Conaq não altera leis de forma imediata. O texto funciona como uma pauta formal entregue a autoridades municipais, estaduais e federais para forçar a criação de políticas públicas.
A Conaq prevê o início dos treinamentos e a distribuição do material pedagógico entre as produtoras rurais, benzedeiras, parteiras e agricultoras representadas no encontro do Distrito Federal.
Perguntas frequentes
O que é o plano emergencial das mulheres quilombolas?
As medidas já possuem força de lei?
Quem participou da elaboração das propostas?
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