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08h15
SAT., 15 DE AGO. DE 2026
Família

Licença-maternidade em bolsa de pesquisa avança no Senado

Projeto aprovado na Comissão de Direitos Humanos suspende prazos de editais científicos federais sem punir a pesquisadora na avaliação curricular.

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Projeto aprovado na Comissão de Direitos Humanos suspende prazos de editais científicos federais sem punir a pesquisadora na avaliação curricular.
Foto: Senado Federal · CC BY 2.0 · via Flickr

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado aprovou projeto de lei que suspende automaticamente prazos de bolsas e projetos científicos com verba federal durante a licença-maternidade de pesquisadoras gestantes ou adotantes.

O que muda para as pesquisadoras

O texto garante que o tempo de afastamento por maternidade seja somado ao prazo total de entrega do projeto ou da bolsa acadêmica. Na prática, a cientista não perde tempo útil de execução da pesquisa enquanto estiver afastada dos laboratórios e salas de aula.

A proposta veda qualquer avaliação negativa de produtividade, mérito acadêmico ou pontuação curricular motivada pelo período de afastamento. Cientistas que se tornarem mães também mantêm o direito de concorrer a novos editais de fomento sem critérios discriminatórios.

Proteger a maternidade na ciência não é conferir um privilégio, mas sim reconhecer e mitigar uma barreira sistêmica.

Soraya Thronicke, senadora

Alteração na legislação federal

O texto aprovado é um substitutivo da relatora, a senadora Mara Gabrilli, ao PL 646/2026, apresentado pela senadora Soraya Thronicke. A relatora incorporou as novas garantias à Lei 13.536, em vigor desde 2017, que regula prorrogações por motivos parentais.

Ao unificar as regras em uma única lei federal, o texto busca eliminar divergências entre órgãos públicos. Hoje, a concessão de prazos extras depende de normas internas de cada entidade, criando regras desiguais conforme a região ou a instituição de ensino.

Tramitação e prazos de adaptação

Nada muda imediatamente para as bolsistas. O projeto passou na CDH nesta quarta-feira (12 de agosto) e agora segue para a Comissão de Educação e Cultura (CE) do Senado Federal.

Caso o texto passe por todas as etapas legislativas e vire lei, as agências federais e instituições financiadoras terão 180 dias para ajustar seus editais e regulamentos internos às novas exigências. A proposta não cria despesas adicionais nem aumenta o valor financeiro das bolsas.

Perguntas frequentes

O que muda nos prazos das bolsas de pesquisa?
O período da licença-maternidade é adicionado ao prazo original do projeto. A pesquisadora gestante ou adotante ganha tempo extra idêntico ao afastamento para concluir seus relatórios e entregas sem prejuízo ao cronograma acadêmico.
A cientista perde pontos em editais futuros por causa da licença?
Não. O projeto proíbe expressamente que agências de fomento apliquem avaliações negativas de produtividade ou excluam pesquisadoras de novos editais em razão de gestação, parto, adoção ou usufruto da licença-maternidade.
As novas regras para bolsas já estão valendo?
Ainda não. O projeto precisa passar pela Comissão de Educação e Cultura e por outras etapas legislativas antes de virar lei definitiva e entrar em vigor no país.
Quem terá direito à suspensão do cronograma de pesquisa?
A medida alcança pesquisadoras gestantes e adotantes que recebem bolsas de estudo ou coordenam projetos científicos financiados com verbas públicas federais.

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