TRT de SP tem 488 vagas e lentidão em processos
Audiência na Comissão Mista de Orçamento cobra verba para novas nomeações e aponta sobrecarga na Justiça do Trabalho paulista.

A falta de servidores no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) gerou cobrança por verbas federais nesta terça-feira (18 de agosto). O órgão acumula quase um quinto de todos os processos trabalhistas do país.
O rombo de pessoal no tribunal paulista
O TRT-2 registra 488 cargos vagos e chamou apenas 33 aprovados do concurso realizado em 2025. O dado foi apresentado em audiência na Comissão Mista de Orçamento (CMO).
A lentidão atinge diretamente quem aguarda uma decisão. O prazo médio entre a entrada de uma ação e a sentença supera 126 dias. Em 2025, a unidade paulista recebeu 1 milhão de novos processos. O quadro atual soma 6.597 servidores, dos quais 636 possuem 60 anos ou mais.
O tempo para ter acesso a esse direito é muito longo. A falta de servidores agrava essa situação, prejudicando gravemente as populações que já estão em vulnerabilidade
Professora Luciene Cavalcante, deputada federal
O que muda para os trabalhadores e concursados
Nada muda de forma imediata no andamento dos processos ou no ritmo das contratações. A deputada Professora Luciene Cavalcante informou que vai buscar a aprovação de créditos orçamentários para garantir convocações em 2026 e 2027.
A parlamentar também vai pedir informações sobre o uso de verbas discricionárias pelo TRT-2. Segundo Fernanda Coimbra, da Comissão Nacional de Aprovados em Concursos dos TRTs, o Orçamento de 2026 previu 300 nomeações divididas entre 24 tribunais, mas poucas foram concretizadas.
Sobrecarga de trabalho e inteligência artificial
O déficit de pessoal impacta a saúde dos funcionários em atividade. A dirigente Camila Gradim, do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo, apontou o crescimento de afastamentos por problemas de saúde mental.
Em 2023, as licenças médicas totalizaram 58.880 dias e atingiram 44% dos servidores do tribunal paulista. A deputada Luciene Cavalcante declarou que vai pedir ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) uma avaliação sobre as condições de trabalho na corte.
Representantes sindicais também rejeitaram a ideia de substituir servidores por ferramentas digitais. Camila Gradim citou casos de alucinação, situação em que sistemas de inteligência artificial inventam leis inexistentes, sustentando que a tecnologia não consegue elaborar sentenças.
Perguntas frequentes
Quantas vagas abertas existem no TRT de São Paulo?
Haverá novas convocações de concurso em breve?
Quanto tempo demora para sair uma sentença no TRT-2?
A inteligência artificial vai substituir servidores nos tribunais?
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