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20h56
TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Criminal

Brasil assume culpa por mortes em ações do Estado no RJ

Governo pede desculpas oficiais e altera registro de criança morta pela polícia em 1996 de resistência para intervenção estatal.

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Governo pede desculpas oficiais e altera registro de criança morta pela polícia em 1996 de resistência para intervenção estatal.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O governo federal assumiu a responsabilidade do Estado brasileiro por assassinatos e torturas cometidos por policiais e agentes penitenciários do Rio de Janeiro. A declaração formal inclui pedido público de desculpas aos parentes das vítimas.

A medida beneficia diretamente os familiares atingidos em duas operações distintas: uma na comunidade de Acari, ocorrida em 1996, e outra no sistema prisional fluminense, registrada em 2006. A partir desta terça-feira (30), o governo formaliza compromissos assumidos perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para corrigir dados oficiais e reparar as falhas de investigação.

Alteração em registros policiais de homicídio

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro vai alterar o boletim sobre a morte do menino Maicon de Souza Silva, baleado aos 2 anos de idade durante uma incursão da polícia. O documento contava com a falsa indicação de que o bebê havia oferecido resistência armada à abordagem. A partir do acerto, o arquivo passará a constar a classificação de vítima de intervenção estatal.

A mesma ação policial em 1996 deixou gravemente ferida a criança Renato da Silva Paixão, na época com 6 anos, que perdeu uma das pernas em decorrência dos disparos. Os pais de Maicon, José Luiz Faria da Silva e Maria da Penha de Sousa Silva, acompanharam a assinatura do acordo após lutarem por Justiça ao longo de quase 30 anos.

Tortura e morte sob custódia do Estado

O segundo procedimento reconhecido abrange o assassinato de José Carlos da Silva, torturado enquanto permanecia preso no sistema penitenciário do Rio de Janeiro em 2006. A vítima enviou cartas aos parentes relatando espancamentos contínuos na cela antes de falecer.

O Estado sepultou o homem como pessoa não identificada sem avisar os parentes. A irmã da vítima, Damiana Nascimento de Souza, relatou que a mãe faleceu meses antes da conclusão do acordo sem ver o encerramento do caso.

A solenidade oficial de retratação ocorreu na sede do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).

Esse compromisso tem dupla finalidade: reparatória e preventiva. O fundamental é prevenir acontecimentos semelhantes.

Antonio José Campos Moreira, procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro

Antonio José Campos Moreira, procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro

Exigência de mudanças institucionais

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, representou a União no pedido oficial de desculpas. Entidades de defesa dos direitos humanos, a exemplo da organização Justiça Global, acompanharam a ratificação do acordo e cobraram garantias concretas para conter a letalidade policial e o abandono dentro das cadeias.

Além da retratação pública, os termos assinados obrigam o poder público a instituir medidas preventivas e traçar mecanismos para evitar a repetição de abusos cometidos por forças de segurança.

Perguntas frequentes

O que significa o reconhecimento de responsabilidade do Estado?
O Estado brasileiro admite oficialmente que cometeu violações de direitos humanos e falhou ao investigar e punir os agentes envolvidos em crimes. A medida encerra denúncias na Comissão Interamericana de Direitos Humanos e obriga o governo a redefinir registros policiais e promover reparações às famílias.
Quais registros policiais serão alterados?
A Polícia Civil vai retirar o enquadramento de auto de resistência da certidão do menino Maicon de Souza Silva, morto aos 2 anos em 1996. O documento agora traz a indicação oficial de vítima de intervenção estatal, corrigindo a farsa mantida por quase três décadas.
Haverá pagamento de indemnizações às famílias?
O material divulgado pelo Governo Federal e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro não informa os valores nem os prazos para o pagamento de indenizações financeiras às famílias das vítimas beneficiadas pelos acordos na Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
Quais casos foram analisados na CIDH?
Um dos processos trata da morte do bebê Maicon e dos ferimentos no menino Renato durante ação policial no Rio de Janeiro em 1996. O outro envolve José Carlos da Silva, torturado e morto em 2006 dentro do sistema prisional fluminense.

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