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SUN., 16 DE AGO. DE 2026
Saúde

CCJ aprova Estatuto dos Cães e Gatos no Senado

Texto define direitos dos bichos, proíbe proibições genéricas em condomínios e estabelece regras para tutores e animais comunitários.

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Texto define direitos dos bichos, proíbe proibições genéricas em condomínios e estabelece regras para tutores e animais comunitários.
Foto: Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) · Domínio público 1.0 · via Flickr

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou o projeto que cria o Estatuto dos Cães e Gatos. A proposta estabelece direitos para os animais domésticos, impõe deveres aos tutores e define punições para casos de violência e abandono.

O texto reconhece formalmente cães e felinos como seres que sentem dor, sofrimento, medo e afeto. Pelo projeto, a regra entra em vigor 90 dias depois de sancionada e publicada. Nada muda de imediato para a população, pois a proposta ainda precisa tramitar na Comissão de Meio Ambiente (CMA).

O que muda para os tutores

Quem tem cão ou gato em casa passa a responder por deveres específicos de alimentação, higiene, assistência veterinária, vacinação e vermifugação. O responsável deve colocar coleira ou guia ao circular em vias públicas, recolher as fezes na rua e registrar o animal no Cadastro Nacional de Animais Domésticos.

Em prédios e vilas residenciais, condomínios ficam proibidos de vetar animais de forma genérica nas convenções. A restrição só vale quando comprovado risco real ao sossego, à segurança ou à saúde dos vizinhos.

O projeto encontra respaldo em valores constitucionais relacionados à proteção do meio ambiente, à promoção da dignidade da vida em todas as suas formas e ao dever estatal de assegurar políticas públicas voltadas ao bem-estar coletivo.

Fabiano Contarato, senador e relator

Regras para cães de rua e adoção

O texto cria o conceito de animal comunitário, que vive nas ruas mas recebe cuidados contínuos dos vizinhos. Nesses casos, prefeituras e moradores dividem a obrigação de alimentar, castrar, identificar e vacinar o bicho. O município responde por prejuízos causados por esses animais, salvo em situações de culpa exclusiva da vítima ou motivo de força maior.

Para adotar, a pessoa precisa ter no mínimo 18 anos, comprovar endereço fixo e assinar termo formal. Quem tiver histórico de maus-tratos fica proibido de adotar.

Punições e proibições

O projeto veda rinhas, corte estético de orelhas ou cauda sem necessidade médica e uso de cães e gatos em testes didáticos que causem sofrimento. O infrator flagrado em maus-tratos perde a guarda, arca com tratamentos veterinários e fica impedido de ter animais por 10 anos, sem prejuízo de sanções penais.

Apresentado após sugestão do Instituto Arcanimal, o texto recebeu relatório favorável do senador Fabiano Contarato e segue agora para a comissão seguinte.

Perguntas frequentes

O que acontece se o condomínio proibir animais?
Pelo texto aprovado na CCJ do Senado, o condomínio não pode proibir cães e gatos com regras gerais. O veto só é permitido se houver comprovação de barulho excessivo, agressividade ou risco à segurança e à saúde dos moradores.
Quem responde por danos causados por cão comunitário?
Os municípios e o Distrito Federal respondem pelos prejuízos causados por animais comunitários. Essa responsabilidade do poder público é afastada apenas se a vítima tiver provocado o animal ou em situações imprevisíveis de força maior.
Quando a nova lei começa a valer?
A proposta ainda não é lei. O projeto precisa de aprovação na Comissão de Meio Ambiente e depois no Plenário. Se o texto for sancionado pela Presidência da República, as regras entram em vigor noventa dias após a publicação oficial.
Quais as exigências mínimas para adotar um animal?
O interessado em adotar precisa ser maior de dezoito anos, morar em endereço fixo e assinar termo de adoção responsável. O estatuto proíbe a entrega de animais para pessoas com histórico registrado de violência contra bichos.

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