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PLANTÃO

Câmara acelera projeto da nova aposentadoria especial

15h51
THU., 13 DE AGO. DE 2026
Trabalho

Câmara acelera projeto da nova aposentadoria especial

Proposta que amplia categorias beneficiadas vai direto ao Plenário após aprovação de urgência, mas enfrenta resistência orçamentária.

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Proposta que amplia categorias beneficiadas vai direto ao Plenário após aprovação de urgência, mas enfrenta resistência orçamentária.
Foto: Renato Araújo / Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou requerimento de urgência para levar diretamente ao Plenário o Projeto de Lei Complementar 42/23. O texto altera os critérios da aposentadoria especial, benefício pago a quem exerce funções sob constante risco à saúde ou integridade física.

Com a urgência aprovada na quarta-feira (12 de agosto de 2026), o projeto pula etapas intermediárias nas comissões temáticas. A votação definitiva depende agora apenas da inclusão na ordem do dia pelo presidente da Casa.

O que o projeto altera para o trabalhador

A proposta busca incluir novas categorias profissionais no rol de beneficiários da aposentadoria especial, além de autorizar o enquadramento de quem desempenha atividades penosas. O texto também cria mecanismos para reconhecer o tempo especial fracionado, evitando que o segurado perca o direito acumulado caso seja dispensado antes do prazo total.

O Supremo Tribunal Federal já havia derrubado a exigência de idade mínima para o benefício neste ano. Com essa decisão judicial prévia, o trabalhador precisa comprovar até 25 anos de contribuição em ambiente nocivo para ter acesso à aposentadoria integral na modalidade especial.

Durante debate promovido pela Comissão de Trabalho e pela Comissão de Finanças e Tributação, especialistas apontaram entraves burocráticos no acesso ao direito previdenciário.

Não podemos ter uma regra de tudo ou nada. Se o trabalhador não completar os 25 anos, seu tempo de trabalho especial não pode ser desconsiderado. Imagine um trabalhador de uma metalúrgica que trabalhe por 24 anos e seja demitido. Seria como se esses 24 anos não tivessem existido, apesar dos prejuízos que esse trabalho já causou à sua saúde.

Thais Riedel, advogada

A advogada destacou que mais de 90% dos benefícios especiais são concedidos apenas após disputa na Justiça, embora as empresas já recolham alíquota previdenciária mais alta sobre a folha salarial desses empregados.

Resistência financeira barra consenso entre parlamentares

Apesar do apoio de bancadas sindicais, a proposta enfrenta forte oposição técnica. Um parecer técnico emitido pela Consultoria de Orçamento da Câmara apontou que o projeto não incluiu o cálculo do impacto nas contas públicas nem indicou de onde virá o dinheiro para cobrir as novas despesas.

A deputada Erika Kokay, relatora do texto na comissão de finanças, alertou que a falta de acordo orçamentário gera entraves para a aprovação definitiva. A parlamentar cobra empenho dos sindicatos para convencer deputados indecisos antes que o texto chegue ao plenário.

Por outro lado, a deputada Geovania de Sá defende a aprovação célere para rever pontos alterados em mudanças legislativas anteriores e restabelecer proteções a profissionais da saúde, vigilantes e operários industriais.

Perguntas frequentes

O que prevê o Projeto de Lei Complementar 42/23?
O Projeto de Lei Complementar 42/23 altera as regras da aposentadoria especial. A proposta inclui novas categorias profissionais, prevê proteção para atividades penosas e estabelece o aproveitamento proporcional do tempo trabalhado em locais insalubres quando o trabalhador não atinge o prazo total exigido.
As novas regras já estão em vigor?
Não. O projeto de lei complementar foi aprovado apenas em regime de urgência na Câmara dos Deputados. O texto ainda precisa passar pela votação do Plenário da Câmara, pelo Senado Federal e pela sanção da Presidência da República para começar a valer.
Qual é a exigência atual para obter a aposentadoria especial?
Após decisão do Supremo Tribunal Federal que derrubou a idade mínima, a concessão exige a comprovação de até 25 anos de contribuição em atividade com exposição a agentes nocivos à saúde, a depender do grau de risco da ocupação exercida pelo segurado.
Por que o projeto enfrenta resistência na Câmara?
A Consultoria de Orçamento da Câmara emitiu parecer contrário ao texto porque os autores da proposta não apresentaram a estimativa de impacto financeiro nas contas da Previdência Social nem indicaram fontes de receita para bancar a ampliação do benefício.

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