Intérpretes de Libras podem ter prova prática para atuar
Projeto aprovado na Comissão de Educação do Senado exige teste de habilidades além do diploma teórico para atuação profissional.

Profissionais de Língua Brasileira de Sinais podem ser obrigados a demonstrar habilidade técnica em testes práticos antes de assumir postos de trabalho. A Comissão de Educação e Cultura do Senado Federal aprovou a medida nesta quarta-feira (12 de agosto de 2026).
A exigência consta no PL 3.878/2024, apresentado pelo ex-senador Castellar Neto. O parecer favorável, elaborado pelo relator e senador Flávio Arns, recebeu leitura do senador Humberto Costa durante a reunião deliberativa.
O que muda na contratação desses profissionais
Órgãos públicos e empresas privadas ganham autonomia para aplicar testes práticos em concursos públicos, processos seletivos simplificados e entrevistas de emprego. A avaliação prática passa a ser uma etapa adicional para comprovar a capacidade de atendimento às demandas reais da comunidade surda.
Em vigor desde 2010, a Lei 12.319 regulamenta a profissão e fixa apenas requisitos de formação escolar ou acadêmica. O novo texto estabelece que o diploma continuará obrigatório, mas não bastará sozinho para garantir a contratação em postos que exijam fluência imediata.
As bancas examinadoras poderão reunir docentes surdos, tradutores em atividade e professores sinalizantes com experiência comprovada. Esses avaliadores podem ter vínculo com universidades que desenvolvam pesquisas no setor ou com entidades civis que representem pessoas surdas.
Quem precisa fazer a avaliação prática
A regra atinge diretamente quem atua ou pretende atuar como tradutor, intérprete ou guia-intérprete de Libras em áreas essenciais. Os testes vão medir as competências específicas exigidas pelo ambiente de trabalho, como salas de aula, tribunais e unidades de saúde.
- Tradutores e intérpretes educacionais dos sistemas público e privado
- Profissionais que atendem serviços médicos e hospitalares
- Guias-intérpretes que atuam com pessoas surdocegas
- Intérpretes designados para audiências e atos jurídicos
O texto aprovado pela comissão não atinge tradutores públicos juramentados nem intérpretes comerciais, que continuam submetidos à legislação própria da categoria.
Quando a nova exigência começa a valer
A proposta ainda não tem força de lei nem data fixada para vigorar no país. A votação na comissão ocorreu em caráter terminativo, mecanismo que dispensa análise pelo Plenário do Senado caso os parlamentares não apresentem recurso.
A matéria também passou por ajustes na Comissão de Direitos Humanos antes do aval final do colegiado de educação. O projeto segue agora para tramitação na Câmara dos Deputados, onde precisa ser votado pelos deputados federais e depois enviado à sanção presidencial.
Perguntas frequentes
Quem será obrigado a fazer o teste prático?
O diploma de Libras deixa de ser obrigatório?
A regra da prova prática já está valendo?
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