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20h56
TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Trabalho

Sindicato pede ao TSE retorno do acervo da Agência Brasil

Entidade quer atuar na ação movida pela EBC para liberar matérias jornalísticas retiradas do ar durante o período de propaganda eleitoral.

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Entidade quer atuar na ação movida pela EBC para liberar matérias jornalísticas retiradas do ar durante o período de propaganda eleitoral.
Foto: Agência Brasil

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para ingressar na ação que tenta liberar o acervo de reportagens da Agência Brasil escondido durante o período de propaganda eleitoral.

O pedido tenta reverter o apagamento temporário das matérias publicadas nos últimos três anos e meio. A interrupção atinge leitores, pesquisadores e cidadãos que buscam notícias produzidas pelo jornalismo público. A solicitação do sindicato aguarda análise dos ministros da Corte eleitoral.

Por que as reportagens saíram do ar

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) tirou do ar mais de 180 mil matérias do portal oficial para evitar punições da legislação eleitoral. A empresa teme que textos antigos contenham citações a candidatos ou termos interpretados como propaganda governamental velada.

A direção do veículo recorreu ao tribunal para obter garantia jurídica de recolocar a página no ar até o pleito de outubro.

Não porque os textos já publicados sejam propaganda de gestão, mas porque checar um a um, mais de 180 mil matérias, em busca de menções a autoridades em disputa ou termos que pudessem ser considerados publicidade, é humanamente inviável, além do que, a empresa não dispõe de ferramenta confiável para fazer essa verificação sutil em escala.

Antonia Pellegrino, presidente da EBC

Antonia Pellegrino, presidente da EBC

A atuação do sindicato na ação eleitoral

Para intervir no processo, a entidade de classe solicitou a condição de amicus curiae, figura jurídica que atua como colaboradora do tribunal para fornecer dados técnicos e defender interesses coletivos.

Nessa posição, a instituição pode apresentar pareceres e estudos aos julgadores. O mecanismo impede, contudo, que a entidade faça pedidos formais de condenação ou apresente recursos contra as decisões do processo.

Riscos para o direito à informação

A entidade sustenta que o jornalismo público não se confunde com publicidade de governo. A retirada de circulação das reportagens passa uma mensagem equivocada de que a agência opera para promover gestores públicos, e não para informar a população com isenção.

O corte atinge a cobertura de assuntos sociais de relevância coletiva. Ficaram fora do ar matérias sobre saúde pública, direitos humanos, populações indígenas, meio ambiente e agricultura familiar. A Constituição Federal garante a existência e a autonomia do sistema público de rádio e televisão ao lado dos veículos privados e estatais.

Perguntas frequentes

O que o sindicato pede ao TSE?
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal quer atuar como colaborador no processo para ajudar a reabrir o acervo da Agência Brasil. A entidade defende que tirar as matérias do ar fere a liberdade de imprensa e prejudica a sociedade.
Por que a Agência Brasil ocultou o acervo?
A Empresa Brasil de Comunicação tirou as matérias do ar durante o período de propaganda eleitoral para evitar punições da legislação. A empresa alegou ser impossível checar manualmente mais de 180 mil textos antigos em busca de menções a candidatos.
O que é amicus curiae na Justiça?
A expressão latina identifica o amigo da corte, um terceiro que entra na ação judicial para fornecer informações, dados e pareceres aos juízes. Essa figura não pode fazer pedidos próprios ou recorrer das decisões do tribunal.
O acervo da Agência Brasil já voltou ao ar?
Não. O acervo de três anos e meio do veículo continua indisponível na internet. A liberação das notícias depende do julgamento da ação pelo Tribunal Superior Eleitoral.

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