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08h54
FRI., 14 DE AGO. DE 2026
Consumidor

Fazenda bloqueia apostas de 800 mil endividados

Medida atinge quem renegociou débitos ou contratos do Fies e soma-se ao veto contra 3 milhões de beneficiários de programas sociais.

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Medida atinge quem renegociou débitos ou contratos do Fies e soma-se ao veto contra 3 milhões de beneficiários de programas sociais.
Foto: Agência Brasília from Brasília, Brasil · CC BY 2.0 · via Wikimedia Commons

A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, bloqueou o acesso de quase 800 mil pessoas que renegociaram débitos financeiros em sites autorizados de apostas esportivas e jogos online.

A restrição atinge quem buscou acordos para limpar o nome ou renegociou pendências com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Quem entra nessa lista tem o login travado de forma automática pelas empresas credenciadas no Brasil.

Quem fica impedido de apostar

O corte atinge diretamente dois grupos com acordos financeiros ativos: 794.181 cidadãos inscritos em renegociações gerais de dívidas e 33.123 pessoas vinculadas a contratos do Fies. O objetivo da medida é evitar que recursos destinados à recuperação financeira sejam direcionados a apostas.

O Ministério da Fazenda também cortou o acesso de 3 milhões de inscritos no Bolsa Família e no Benefício de Prestação Continuada (BPC). Esse veto cumpre determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o uso de verbas assistenciais em plataformas de jogos.

Ao todo, os bloqueios por dívidas, decisões judiciais e pedidos voluntários representam 10% dos 40 milhões de usuários cadastrados no Sistema de Gestão de Apostas (Sigap).

Mais de 1 milhão pediram para sair dos sites

Usuários que enfrentam dificuldades para controlar os gastos contam com uma ferramenta de autoexclusão, que permite solicitar o bloqueio voluntário em todas as plataformas autorizadas de uma única vez. O sistema da SPA entrou em operação em dezembro de 2025 e já soma mais de 1,2 milhão de pedidos.

A maior parte dos pedidos voluntários, cerca de 66,95%, definiu o bloqueio por tempo indeterminado. Outros 21,6% escolheram a suspensão temporária por um ano. Entre as razões informadas pelos usuários para sair do sistema, destacam-se:

  • Perda de controle sobre o jogo e preservação da saúde mental, motivo de 35,93% das solicitações;
  • Proteção de dados pessoais contra o uso de empresas de apostas, responsável por 20,63% dos registros.

Suporte financeiro e atendimento de saúde

O portal da autoexclusão oferece cursos gratuitos com foco no comportamento do apostador e na prevenção do superendividamento. A ferramenta traz orientações diretas sobre os riscos financeiros associados aos jogos de quota fixa.

A página disponibiliza ainda um autoteste de saúde mental e orienta os usuários sobre unidades de atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) para tratamento de compulsão por jogos.

Perguntas frequentes

Quem renegociou dívida pode apostar em sites autorizados?
Não. A Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda bloqueou o acesso de 794.181 pessoas que renegociaram dívidas gerais e de 33.123 que repactuaram contratos do Fies. O veto é automático em todas as empresas credenciadas.
Quem recebe Bolsa Família ou BPC pode fazer apostas?
Não. O Ministério da Fazenda suspendeu o acesso de 3 milhões de beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada às plataformas autorizadas, em cumprimento a uma ordem direta do Supremo Tribunal Federal.
Como funciona o bloqueio voluntário em sites de aposta?
O apostador pode solicitar a autoexclusão centralizada desenvolvida pela Secretaria de Prêmios e Apostas. O pedido bloqueia o CPF em todas as casas autorizadas simultaneamente, com opções de suspensão por um ano ou por prazo indeterminado.
Onde buscar ajuda gratuita contra o vício em apostas?
A plataforma federal oferece autoteste de saúde mental, módulos educativos contra o superendividamento e indicações de postos de assistência médica do Sistema Único de Saúde para atendimento a pessoas com compulsão por jogos.

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