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PLANTÃO

STF vai julgar ação da PF que expôs fonte de jornalista

21h08
THU., 13 DE AGO. DE 2026
Consumidor

MPRJ mira bets que travaram saques em golpe de R$ 1,4 bi

Operação Aposta Suja cumpre mandados no Rio, em São Paulo e na Bahia contra grupo que usava empresas de fachada e criptomoedas.

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Operação Aposta Suja cumpre mandados no Rio, em São Paulo e na Bahia contra grupo que usava empresas de fachada e criptomoedas.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) cumpriu mandados de busca contra uma organização criminosa que operava plataformas de apostas na internet, movimentou R$ 1,4 bilhão e aplicava golpes que impediam os clientes de sacar valores.

O que acontecia com o saldo dos apostadores

As plataformas funcionavam na internet sem qualquer licença governamental e retinham o dinheiro no momento em que o usuário pedia o resgate. Quem colocava saldo nos sites não conseguia reaver a quantia depositada nem receber eventuais ganhos, pois os valores eram transferidos imediatamente para contas bancárias de empresas de fachada.

A ação policial ocorreu nesta quinta-feira (13 de agosto), no cumprimento de decisões da 3ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa. A ofensiva, denominada Operação Aposta Suja, mobilizou agentes nos estados do Rio de Janeiro, de São Paulo e da Bahia para desarticular os operadores do esquema.

Ao todo, os policiais executaram sete mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça estadual fluminense. Os alvos incluíam endereços ligados aos administradores dos sites e às pessoas jurídicas usadas para mascarar a captação de recursos.

Como funcionava a lavagem do dinheiro desviado

O grupo explorava o mercado das chamadas bets sem possuir autorização do Ministério da Fazenda, órgão federal que regula o setor. Assim que as vítimas depositavam o dinheiro acreditando participar de apostas esportivas ou jogos eletrônicos, os valores eram desviados da conta do usuário e passavam por sucessivas etapas de ocultação patrimonial.

Para apagar os rastros do dinheiro desviado, os criminosos convertiam os montantes em criptoativos e pulverizavam as quantias em dezenas de contas bancárias diferentes. Em seguida, realizavam remessas para o exterior, com a intenção de reinserir os recursos na economia formal sem levantar suspeitas das autoridades.

A dimensão da fraude veio à tona com o Relatório de Inteligência Financeira emitido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O documento compilou mais de 800 comunicações sobre movimentações suspeitas registradas entre 2022 e 2026. Segundo o relatório, apenas uma das empresas participantes movimentou mais de R$ 100 milhões de forma isolada.

Bens apreendidos nos três estados

As buscas resultaram no recolhimento de veículos caros, valores em espécie e provas eletrônicas. Em São Paulo, os agentes apreenderam dois carros de luxo, relógios de alto padrão, dinheiro vivo, aparelhos celulares e equipamentos eletrônicos variados.

Na Bahia, a polícia apreendeu outros dois carros de luxo, aparelhos eletrônicos e dinheiro em espécie. No estado do Rio de Janeiro, os investigadores recolheram um automóvel e dois aparelhos celulares nos endereços vistoriados.

Todo o material confiscado foi encaminhado para análise técnica dos peritos e investigadores. O objetivo da apuração é identificar outros membros da rede, localizar mais contas bancárias utilizadas no desvio e rastrear o destino final do patrimônio retirado dos apostadores.

Perguntas frequentes

Como saber se o site de apostas atuava de forma ilegal?
O Ministério da Fazenda é o responsável por emitir a autorização oficial para bets operarem no Brasil. No caso apurado pelo MPRJ, as plataformas funcionavam sem nenhum registro e direcionavam os depósitos dos apostadores diretamente para contas de empresas de fachada, sem garantia de pagamento aos clientes.
Por que os apostadores não conseguiam sacar o saldo?
Segundo a investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o sistema bloqueava de forma deliberada as solicitações de resgate. O dinheiro ficava retido nas plataformas e era rapidamente pulverizado em outras contas bancárias, convertido em criptoativos e remetido ao exterior para lavagem de capitais.
O que a Operação Aposta Suja apreendeu com os suspeitos?
Durante o cumprimento dos sete mandados expedidos pela Justiça, os policiais apreenderam cinco veículos, incluindo quatro carros de luxo em São Paulo e na Bahia, além de relógios caros, quantias em dinheiro vivo, telefones celulares e diversos aparelhos eletrônicos nos três estados investigados pelo MPRJ.
Qual foi o valor total movimentado pelo esquema?
De acordo com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o esquema movimentou mais de R$ 1,4 bilhão entre 2022 e 2026. Desse total apurado pelos relatórios de inteligência financeira, uma única empresa de fachada ligada ao grupo movimentou mais de R$ 100 milhões.

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