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20h56
TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Consumidor

Senacon abre processo contra o site Viagogo

Plataforma de revenda de ingressos deve avisar clientes sobre sua atuação sob pena de multa diária de R$ 100 mil.

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Plataforma de revenda de ingressos deve avisar clientes sobre sua atuação sob pena de multa diária de R$ 100 mil.
Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) abriu processo administrativo sancionador contra a empresa de ingressos Viagogo nesta segunda-feira (20). O órgão exige aviso transparente sobre a revenda de bilhetes sob pena de multa.

A medida visa proteger consumidores que buscam ingressos para shows e eventos. Caso a plataforma descumpra a exigência de informar claramente o caráter de revenda em todas as telas acessíveis aos usuários, pagará multa diária de R$ 100 mil.

O que muda para o consumidor

A partir da determinação, quem acessar o site da Viagogo deve visualizar alertas claros indicando que a página funciona como mercado secundário. Atualmente, usuários compram bilhetes acreditando lidar com canais oficiais de venda.

A apuração conduzida pela fiscalização apontou que a empresa omite o formato de atuação e cobra preços acima dos praticados nas bilheterias originais. O secretário Nacional do Consumidor, Ricardo Morishita, afirmou que a apuração identificou irregularidades graves nas operações do site.

Além de esconder a natureza de revenda, a Senacon, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), identificou falhas na identificação das pessoas que colocam os bilhetes à venda e na rastreabilidade dos pagamentos.

Muitas vezes, o consumidor acredita que está adquirindo um ingresso diretamente do produtor do evento ou da bilheteria oficial, sem perceber que se trata de uma revenda, muitas vezes por valor superior ao originalmente praticado

Victor Fernandes, secretário nacional de Direitos Digitais

Victor Fernandes, secretário nacional de Direitos Digitais

Uso de robôs e atuação de cambistas digitais

O MJSP identificou o uso de sistemas automatizados que esgotam as entradas nas bilheterias oficiais. Esses softwares compram lotes inteiros de bilhetes instantaneamente para reaparecerem em plataformas secundárias com valores inflacionados.

O secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Fernandes, alertou que esses robôs funcionam como cambistas digitais no comércio eletrônico. A prática retira as entradas do público geral no lançamento oficial e força o comprador a pagar mais caro na revenda.

Prazo de defesa e fiscalização de outros sites

Com a abertura do processo sancionador, a Viagogo dispõe de 20 dias para apresentar defesa formal perante as autoridades fiscais. A sanção definitiva dependerá da análise das justificativas enviadas.

A fiscalização federal também monitora páginas de venda primária para apurar a cobrança de taxas abusivas e a qualidade do atendimento no pós-venda. Contudo, o governo federal não adotou medidas punitivas contra as bilheterias oficiais até o momento.

Perguntas frequentes

Por que a Senacon processou o site Viagogo?
A Secretaria Nacional do Consumidor instaurou a apuração porque o site Viagogo omite que opera como revendedor de ingressos. A falta de transparência induz o consumidor ao erro, fazendo-o acreditar que compra bilhetes em uma bilheteria oficial por valores normais.
Qual é a multa fixada para a Viagogo?
A Secretaria Nacional do Consumidor estabeleceu multa diária de R$ 100 mil caso a Viagogo não insira avisos claros sobre a atividade de revenda em todas as páginas do site. A empresa tem 20 dias para apresentar defesa.
O que são os cambistas digitais citados no processo?
O termo se refere a robôs e sistemas automatizados que compram ingressos em massa nos sites oficiais assim que as vendas começam. Em seguida, os bilhetes são colocados à venda em plataformas como a Viagogo por preços mais elevados.
Os sites oficiais de ingressos também serão punidos?
O Ministério da Justiça e Segurança Pública monitora as bilheterias primárias em razão de cobranças de taxas abusivas e falhas no atendimento ao cliente. Contudo, nenhuma punição ou processo administrativo foi aplicado a esses canais até o momento.

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