Lei Maria da Penha completa 20 anos com alta em feminicídios
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 1.568 mulheres foram mortas em 2025, enquanto descumprimentos de protetivas crescem.

A Lei Maria da Penha completa 20 anos em vigor com aumento nas estatísticas de violência doméstica e falhas na aplicação de medidas protetivas que deveriam afastar agressores das vítimas.
A lei nº 11.340/2006 definiu a violência doméstica e retirou do isolamento privado as agressões cometidas contra mulheres. Contudo, barreiras no acesso ao sistema de justiça, subnotificação e assassinatos motivados por gênero persistem no país.
Aumento nos casos de feminicídio
O Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio em 2025, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O número representa crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. Desde a criação do tipo penal em março de 2015, a entidade contabiliza ao menos 13.703 assassinatos de mulheres decorrentes da condição de gênero.
Ela elevou o combate à violência contra a mulher, nos âmbitos familiares, doméstico e amoroso, a um problema público, superando aquela velha e obtusa máxima de que ‘em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher’.
Luciane Mezarobba, advogada
Luciane Mezarobba, advogada
O descumprimento de medidas protetivas
A concessão de medida protetiva de urgência pela Justiça determina que o agressor mantenha distância da vítima, mas a fiscalização efetiva não acompanha as ordens judiciais.
Dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo registram o descumprimento de 13.301 medidas protetivas no primeiro semestre deste ano no estado paulista. Houve alta de 18,7% em comparação com o mesmo período de 2025, quando a pasta contabilizou 11.209 violações.
Em janeiro deste ano, Carla Carolina Miranda da Silva foi morta a facadas em via pública na capital paulista pelo ex-companheiro. Ela mantinha ordem judicial de afastamento contra o agressor. Em outro caso, ocorrido em novembro do ano passado na Marginal Tietê, Tainara Souza Santos foi atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro pelo ex-namorado, morrendo semanas depois no hospital.
As modalidades de violência reconhecidas
A legislação classifica a violência em física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. A modalidade de violência vicária passou a integrar o texto legal em 2026. A conduta ocorre quando o agressor ataca terceiros, como filhos e familiares, para causar sofrimento à mulher.
A estrutura de atendimento judiciário enfrenta sobrecarga e falta de equipamentos públicos adequados, o que gera demoras no atendimento de vítimas que buscam registrar denúncias nas delegacias.
A origem histórica da legislação
A norma leva o nome da ativista Maria da Penha Maia Fernandes, vítima de duas tentativas de feminicídio executadas pelo então marido em 1983. O agressor atirou nas costas da vítima, deixando-a paraplégica, e posteriormente tentou eletrocutá-la no banho.
Após decisões judiciais sem prisão efetiva nos anos de 1991 e 1996, o caso chegou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos em 1998. O órgão internacional responsabilizou o Estado brasileiro por omissão e negligência em 2001, determinando o cumprimento da punição ao agressor e a criação de mecanismos de proteção às mulheres.
Perguntas frequentes
Quem tem direito às proteções da Lei Maria da Penha?
O que é medida protetiva de urgência?
O que caracteriza a violência vicária?
Quais canais prestam atendimento à mulher agredida?
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