MP e Polícia Civil travam R$ 2,5 milhões do PCC em SP
Operação em São José dos Campos mira esquema imobiliário usado para lavar dinheiro do tráfico de drogas gerado por facção criminosa.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Polícia Civil cumpriram três mandados de busca e apreensão contra um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) em São José dos Campos.
A decisão judicial decretou o bloqueio de R$ 2,5 milhões em contas bancárias, além de determinar o sequestro de veículos e de imóveis de alto padrão. A medida retira de circulação bens obtidos com o comércio ilegal de drogas e impede que os investigados continuem ocultando o patrimônio.
Como funcionava a lavagem de dinheiro
Os alvos da apuração utilizavam empresas para realizar negociações no mercado imobiliário. O objetivo da estratégia consistia em esconder a origem, a localização e a propriedade real dos recursos obtidos por meio do tráfico de drogas no interior paulista.
Os investigadores iniciaram as apurações após identificarem que a movimentação de bens do grupo era incompatível com a capacidade financeira declarada pelos envolvidos. As verbas eram direcionadas para a estrutura de um ex-integrante do PCC, que comandou o tráfico na região sul de São José dos Campos e faleceu após o processo.
Esse antigo líder sofreu condenação na Operação Boate Azul, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em 2016. Um dos alvos da ação atual cumpria pena de 13 anos e 2 meses de reclusão por crimes de tráfico de drogas, porte ilegal de arma e falsidade ideológica resultantes dessa mesma apuração anterior.
O histórico do combate à organização em São José dos Campos
As ações policiais recentes desdobram operações iniciadas há anos na comarca. Em 2016, a primeira fase da Operação Boate Azul resultou na prisão de 23 pessoas ligadas à organização criminosa na zona sul do município. Na ocasião, os agentes apreenderam mais de 100 quilos de pasta base de cocaína e maconha, além de armas de fogo e documentos do grupo.
A segunda fase da investigação ocorreu em outubro de 2017, quando o MP-SP denunciou 30 policiais civis acusados de integrar a rede criminosa. Além dos policiais, uma advogada e outras quatro pessoas receberam penas por corrupção, extorsão e tráfico de drogas.
A Justiça de São José dos Campos responsabilizou 26 receberam condenações por improbidade administrativa entre os agentes públicos processados. As sanções impostas resultaram na perda da função pública, na suspensão dos direitos políticos por períodos de três a oito anos e no pagamento de multa equivalente a 30 vezes os vencimentos dos cargos.
Os policiais também responderam de forma conjunta pelo pagamento de indenização de R$ 2 milhões por danos sociais. Em outubro de 2023, o tribunal condenou outros cinco suspeitos por lavagem de dinheiro ligada ao mesmo grupo.
Perguntas frequentes
Quem foram os alvos da operação em São José dos Campos?
Quais bens a Justiça determinou bloquear?
Como os investigadores descobriram o esquema do PCC?
O que aconteceu com os policiais civis investigados?
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