Pular para o conteúdo
Assine o boletim Publique seu artigo Anuncie 13/08/2026Entrar
PLANTÃO

Senado aprova corte de impostos sobre combustíveis

21h56
THU., 13 DE AGO. DE 2026
Criminal

MPF denuncia empresas por poluição na Baía de Guanabara

Ação penal cobra R$ 1,45 milhão de estaleiros que funcionaram sem licença ambiental por sete anos no bairro do Caju, no Rio de Janeiro.

Por
✆ 𝕏 f
Ação penal cobra R$ 1,45 milhão de estaleiros que funcionaram sem licença ambiental por sete anos no bairro do Caju, no Rio de Janeiro.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou criminalmente duas empresas de manutenção naval pelo despejo de resíduos perigosos na Baía de Guanabara. A acusação atinge a Selano Trade Reparos Navais e a PSA Reparos Navais, localizadas na zona portuária do Rio de Janeiro.

O MPF exige o pagamento mínimo de R$ 1,45 milhão para recompor a degradação ambiental provocada na região. Esse valor equivale à metade do faturamento estimado das companhias no período em que operaram sem autorização. Se a Justiça aceitar a denúncia, os responsáveis responderão a processo penal por crimes ambientais.

Sete anos de operação sem licença ambiental

As investigações apontam que o estaleiro funcionou clandestinamente no bairro do Caju de fevereiro de 2018 a fevereiro de 2025. Nesse período, as empresas prestaram serviços de manutenção em embarcações sem obter a licença ambiental, que é a autorização estatal obrigatória para empreendimentos com potencial de contaminação.

O local armazenava resíduos oleosos, cilindros de gás liquefeito de petróleo espalhados pelo chão e pontos de abastecimento de combustível e oxigênio sem contenção. O material perigoso ficava acumulado perto das margens, o que permitiu o escoamento de sujeira e substâncias tóxicas diretamente para o mar.

Como a fiscalização descobriu o crime

Uma vistoria conjunta do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) flagrou o estaleiro em plena atividade comercial em fevereiro de 2025. Os agentes constataram o reparo em uma embarcação mesmo diante da inexistência total de documentação ambiental.

Em seguida, peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) elaboraram um laudo técnico confirmando os estragos ecológicos. A perícia identificou isotanques com óleos usados, cilindros de gases inflamáveis e contêineres cercados por lixo industrial sem destinação adequada, configurando poluição hídrica grave.

Empresas admitem irregularidade em depoimento

O administrador das duas empresas admitiu à polícia e ao MPF que operava sem licença ambiental. Ele justificou o problema alegando dificuldades operacionais com a área do terreno, mas os procuradores rejeitaram a explicação.

Para o MPF, cabe exclusivamente às empresas e ao seu gestor obter as permissões legais e garantir o descarte seguro dos dejetos. A cobrança de R$ 1,45 milhão busca neutralizar os ganhos obtidos ao longo dos 7 anos de irregularidade. O caso segue sob análise do Judiciário.

Perguntas frequentes

Quais empresas foram denunciadas por poluição na Baía de Guanabara?
O Ministério Público Federal denunciou a Selano Trade Reparos Navais e a PSA Reparos Navais. As duas empresas mantinham um estaleiro sem autorização no bairro do Caju, no Rio de Janeiro, onde armazenavam e descartavam resíduos perigosos e óleos industriais diretamente na água da Baía de Guanabara.
Qual é o valor cobrado pelo MPF como indenização ambiental?
O MPF pede o pagamento mínimo de R$ 1,45 milhão para reparações de danos ao meio ambiente. Esse montante representa a metade dos lucros calculados pelas autoridades durante os sete anos em que o estaleiro funcionou sem licenciamento ambiental de órgãos de fiscalização.
As empresas acusadas de poluir a baía já foram condenadas?
Não. O MPF apresentou a denúncia e caberá ao Poder Judiciário decidir se aceita o pedido e abre o processo criminal. O administrador confessou a falta de licença, mas as empresas ainda não apresentaram resposta formal perante o tribunal competente.

Leia também