Pular para o conteúdo
Assine o boletim Publique seu artigo Anuncie 11/08/2026Entrar
PLANTÃO

Alcolumbre exige comissões para analisar PEC da escala 6x1

20h56
TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Criminal

Polícia do Rio trava esquema de R$ 11 milhões do tráfico

Operação Quimera aponta controle informal de clubes sociais e pousada em Búzios para ocultar recursos de facção criminosa.

Por
𝕏 f
Operação Quimera aponta controle informal de clubes sociais e pousada em Búzios para ocultar recursos de facção criminosa.
Foto: Tânia Rêgo/Arquivo/Agência Brasil

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro deflagraram uma operação contra um grupo acusado de ocultar recursos do Comando Vermelho.

A Justiça autorizou o bloqueio de ativos, bens imóveis, veículos e contas bancárias do grupo, além de quebrar os sigilos fiscal e bancário. Na prática, a medida asfixia financeiramente os operadores do esquema e impede a circulação ilícita de valores no comércio formal.

Invasão de clubes recreativos no Rio

A investigação começou após dirigentes do Clube Social Marabu, no bairro do Encantado, denunciarem extorsões e ameaças travadas por traficantes do Morro do Dezoito. A facção exigia a entrega da gestão da entidade e a cobrança de uma taxa mensal de R$ 6 mil para manter a unidade aberta.

Com o avanço da apuração pela Delegacia de Nova Iguaçu, os agentes constataram a reprodução da mesma tática no Várzea Country Club, localizado no bairro Água Santa. Integrantes ligados ao crime organizado tomaram a administração informal do espaço, sem qualquer registro estatutário ou vínculo formal. Eles passaram a gerenciar festas, faturamentos e decisões administrativas para praticar a lavagem de dinheiro, método que reinsere verbas ilícitas na economia oficial.

Movimentações suspeitas e operadores financeiros

Relatórios emitidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras revelaram movimentações milionárias incompatíveis com os ganhos declarados pelos suspeitos. Uma das investigadas, cadastrada como recepcionista com salário de R$ 3,2 mil, movimentou mais de R$ 2,2 milhões em apenas seis meses.

O esquema contava com divisão clara de tarefas entre parentes e operadores. Um dos gestores movimentou R$ 2,4 milhões em meio ano sem apresentar atividade comercial compatível. Outro suspeito realizou dezenas de transferências via Pix que somaram R$ 240 mil. Ele acumula cerca de duas dezenas de registros policiais, sobretudo por roubo de carga. O grupo fracionava os depósitos em espécie e fazia transferências cruzadas para dificultar a fiscalização estatal.

Uso de pousada em Búzios para ocultar capital

A Pousada Menino do Rio, estabelecimento de pequeno porte localizado em Armação dos Búzios, funcionava como braço comercial da quadrilha. O local possui apenas 16 quartos, mas movimentou R$ 3,44 milhões em pouco mais de seis meses.

O faturamento do meio de hospedagem destoava completamente da capacidade operacional da empresa, que dispõe de cinco empregados e cobra diárias médias de R$ 540 durante a alta temporada. Além das transferências eletrônicas, a pousada registrou mais de seiscentas entradas em dinheiro vivo, no total de R$ 955 mil. A Polícia Civil soma ao todo mais de R$ 11 milhões em movimentações ilícitas vinculadas ao grupo criminoso.

Perguntas frequentes

Como o Comando Vermelho lavava dinheiro nos clubes?
O Comando Vermelho tomava a administração informal de clubes sociais, como o Várzea Country Club, sem vínculo estatutário. A facção usava o caixa dos estabelecimentos para movimentar valores do tráfico e cobrava taxas de R$ 6 mil para permitir o funcionamento de outras entidades.
Qual o papel da pousada de Búzios no esquema?
A Pousada Menino do Rio recebia recursos do tráfico e os misturava ao faturamento da empresa. Apesar de possuir apenas 16 quartos, a pousada movimentou R$ 3,44 milhões em cerca de seis meses, acumulando centenas de depósitos fracionados em dinheiro vivo.
O que a Justiça determinou contra os investigados?
A Justiça autorizou o bloqueio de bens móveis e imóveis, travamento de contas bancárias e veículos dos suspeitos. O Poder Judiciário também decretou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo monitorado pela Polícia Civil.
Como o Coaf detectou a movimentação suspeita?
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras identificou depósitos incompatíveis com os salários declarados. Uma investigada que recebia R$ 3,2 mil como recepcionista movimentou R$ 2,2 milhões em seis meses por meio de transferências via Pix e depósitos em espécie.

Leia também