MPRJ prende subsecretário por propina em barcos em Búzios
Esquema cobrava até R$ 3 mil por festa não autorizada em embarcações; Justiça bloqueou R$ 500 mil e afastou servidores de cargos públicos.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro prendeu nesta terça-feira (14) o subsecretário municipal de Turismo de Armação dos Búzios e um coordenador de trânsito em investigação sobre propina em festas de barco.
A ação judicial decorre de denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao Ministério Público. Os promotores apontam a existência de um esquema estruturado de corrupção voltado a autorizar festas em embarcações de passeio na cidade.
O que muda para a fiscalização no município
A decisão da Justiça interrompe o esquema ao afastar os servidores públicos investigados e suspender suas atividades oficiais na cidade. Na prática, a medida visa coibir a realização de festas clandestinas em barcos liberadas mediante pagamento de propina.
Durante o cumprimento dos mandados de prisão preventiva, os agentes policiais efetuaram a apreensão de aparelhos celulares e documentos nos endereços dos suspeitos. O material recolhido passa por análise das autoridades para subsidiar o andamento do processo criminal.
Como funcionava a cobrança de propina em Búzios
Os acusados exigiam valores que variavam entre R$ 1 mil e R$ 3 mil de organizadores para autorizar a realização de festas em embarcações sem a expedição formal de alvará nem qualquer tipo de fiscalização municipal.
Segundo os apontamentos das investigações conduzidas pelo Gaeco, o grupo atuou em pelo menos 38 episódios confirmados de corrupção. As apurações indicam que as práticas irregulares ocorreram em um período compreendido entre janeiro de 2021 e março de 2026.
Armação dos Búzios figura como uma das cidades mais conhecidas do litoral do estado do Rio de Janeiro e se consolida como um dos principais destinos turísticos de todo o país, fator que ampliava o volume de eventos no mar.
Quem são os investigados na ação criminal
A denúncia do Ministério Público aponta quatro pessoas envolvidas nos crimes. Entre os presos preventivamente estão o policial civil aposentado e atual subsecretário municipal de Turismo, Sérgio Ferreira dos Santos, e o coordenador de Trânsito e Transporte do município, Igenes Lopes Santos Filho.
Os quatro alvos responderão perante o Poder Judiciário pela prática dos crimes de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro — ato que consiste em ocultar a origem ilícita de valores obtidos ilegalmente.
Quais foram as determinações da Justiça
O Juízo da 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa ordenou o cumprimento de mandados de busca e apreensão nos endereços de todos os quatro denunciados na ação.
Além das prisões e das buscas, a Justiça determinou a suspensão imediata do exercício das funções públicas ocupadas pelos acusados. A decisão impôs ainda o sequestro e bloqueio de bens dos denunciados até o limite financeiro de R$ 500 mil.
A reportagem entrou em contato formalmente com a Prefeitura de Armação dos Búzios para solicitar um posicionamento oficial sobre a prisão dos agentes e as acusações apresentadas pelo Ministério Público, mas não recebeu resposta até o momento da publicação.
Perguntas frequentes
Quem foi preso na operação do MPRJ em Búzios?
Quanto os acusados cobravam para liberar as festas em barcos?
Quais crimes os denunciados vão responder perante a Justiça?
A Prefeitura de Armação dos Búzios se pronunciou sobre o caso?
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