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20h56
TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Criminal

STF muda combate ao crime no Rio com a ADPF das favelas

Decisão obriga investigação permanente da Polícia Federal contra cúpulas políticas e financeiras do crime organizado fluminense.

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Decisão obriga investigação permanente da Polícia Federal contra cúpulas políticas e financeiras do crime organizado fluminense.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal obrigou a Polícia Federal a manter uma equipe permanente no Rio de Janeiro para sufocar a estrutura financeira e política de facções e milícias.

A mudança encerra o modelo focado quase exclusivamente em confrontos diretos em morros e baixadas. Agora, os investigadores buscam desmontar a engrenagem que financia o tráfico e a milícia, alcançando políticos, policiais e empresários que dão suporte aos esquemas criminosos.

Essa nova estratégia vale desde abril de 2025, quando o STF concluiu o julgamento da Arguição por Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, batizada de ADPF das favelas. O processo começou em novembro de 2019, acionado pelo Partido Socialista Brasileiro para conter a violência policial em áreas periféricas.

O que muda nas investigações no Rio

A ordem judicial exige atuação integrada do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, da Receita Federal e da Fazenda estadual. Em vez de prender apenas executores no varejo do crime, a ação mira lavagem de dinheiro, contrabando de combustível e jogo ilegal.

Pela 1ª vez em muito tempo, as investigações parecem atacar os três pilares do crime organizado de uma só vez. O primeiro é o braço armado, facções e milícias. O segundo é o braço econômico, combustíveis, contrabando, lavagem de dinheiro e jogo do bicho. E o terceiro é o braço institucional, agentes públicos, autoridades e políticos que, segundo as investigações, garantiriam proteção e informação aos esquemas.

Cecília Olliveira, diretora executiva do Instituto Fogo Cruzado

Cecília Olliveira, diretora executiva do Instituto Fogo Cruzado

Um exemplo do novo formato foi a Operação Zargun, conduzida pela PF. O trabalho desmantelou esquemas do Comando Vermelho e prendeu um delegado federal, policiais militares, um secretário de Estado e um deputado estadual acusados de vazar dados e importar armas.

Como a população sente os efeitos

Estudos do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense em parceria com o Instituto Fogo Cruzado apontam que cerca de 4 milhões de pessoas viviam sob domínio de grupos armados na região metropolitana em 2024. Entre 2007 e 2024, a área controlada por criminosos cresceu 130,4%.

Para o advogado criminalista Cristiano Maronna, fixar limites para incursões policiais e exigir planos de redução da letalidade forçou o Estado a buscar inteligência. O ex-policial federal Roberto Uchôa acrescenta que o governo estadual não conseguiria combater isoladamente as organizações que capturaram instâncias públicas.

Perguntas frequentes

O que é a ADPF das favelas?
A ADPF das favelas é uma ação judicial iniciada pelo Partido Socialista Brasileiro no Supremo Tribunal Federal para combater a alta letalidade policial e impor limites às operações em comunidades do Rio de Janeiro. O julgamento fixou regras para proteger moradores e redirecionou a atuação policial.
Quem passa a ser investigado com a nova regra?
As investigações da Polícia Federal passam a focar na cúpula financeira e política do crime. Além de facções e milícias, a apuração atinge agentes públicos, políticos, policiais e empresários que lavam dinheiro e oferecem proteção institucional aos grupos criminosos no Rio de Janeiro.
A polícia ainda pode fazer operações em favelas do Rio?
Sim, mas as operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro sofreram restrições severas impostas pelo Supremo Tribunal Federal. As incursões exigem justificativas excepcionais, maior transparência e o cumprimento de planos específicos para redução da letalidade violenta por parte do Estado.

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