STF muda combate ao crime no Rio com a ADPF das favelas
Decisão obriga investigação permanente da Polícia Federal contra cúpulas políticas e financeiras do crime organizado fluminense.

O Supremo Tribunal Federal obrigou a Polícia Federal a manter uma equipe permanente no Rio de Janeiro para sufocar a estrutura financeira e política de facções e milícias.
A mudança encerra o modelo focado quase exclusivamente em confrontos diretos em morros e baixadas. Agora, os investigadores buscam desmontar a engrenagem que financia o tráfico e a milícia, alcançando políticos, policiais e empresários que dão suporte aos esquemas criminosos.
Essa nova estratégia vale desde abril de 2025, quando o STF concluiu o julgamento da Arguição por Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, batizada de ADPF das favelas. O processo começou em novembro de 2019, acionado pelo Partido Socialista Brasileiro para conter a violência policial em áreas periféricas.
O que muda nas investigações no Rio
A ordem judicial exige atuação integrada do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, da Receita Federal e da Fazenda estadual. Em vez de prender apenas executores no varejo do crime, a ação mira lavagem de dinheiro, contrabando de combustível e jogo ilegal.
Pela 1ª vez em muito tempo, as investigações parecem atacar os três pilares do crime organizado de uma só vez. O primeiro é o braço armado, facções e milícias. O segundo é o braço econômico, combustíveis, contrabando, lavagem de dinheiro e jogo do bicho. E o terceiro é o braço institucional, agentes públicos, autoridades e políticos que, segundo as investigações, garantiriam proteção e informação aos esquemas.
Cecília Olliveira, diretora executiva do Instituto Fogo Cruzado
Cecília Olliveira, diretora executiva do Instituto Fogo Cruzado
Um exemplo do novo formato foi a Operação Zargun, conduzida pela PF. O trabalho desmantelou esquemas do Comando Vermelho e prendeu um delegado federal, policiais militares, um secretário de Estado e um deputado estadual acusados de vazar dados e importar armas.
Como a população sente os efeitos
Estudos do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense em parceria com o Instituto Fogo Cruzado apontam que cerca de 4 milhões de pessoas viviam sob domínio de grupos armados na região metropolitana em 2024. Entre 2007 e 2024, a área controlada por criminosos cresceu 130,4%.
Para o advogado criminalista Cristiano Maronna, fixar limites para incursões policiais e exigir planos de redução da letalidade forçou o Estado a buscar inteligência. O ex-policial federal Roberto Uchôa acrescenta que o governo estadual não conseguiria combater isoladamente as organizações que capturaram instâncias públicas.
Perguntas frequentes
O que é a ADPF das favelas?
Quem passa a ser investigado com a nova regra?
A polícia ainda pode fazer operações em favelas do Rio?
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