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SUN., 16 DE AGO. DE 2026
Família

Estatuto do Autismo tem votação adiada na Câmara

Pedido de vista suspendeu a análise do relatório que prevê saque do FGTS para terapias, regras para planos de saúde e mudanças no Imposto de Renda.

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Pedido de vista suspendeu a análise do relatório que prevê saque do FGTS para terapias, regras para planos de saúde e mudanças no Imposto de Renda.
Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados travou a votação do Estatuto da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista nesta terça-feira (11 de agosto de 2026). Um pedido de vista na comissão especial adiou a análise do relatório final.

O vice-líder do governo, deputado Alencar Santana, pediu mais tempo para que os ministérios analisem o parecer de 138 páginas. O texto substitui a Lei Berenice Piana e unifica mais de 100 propostas sobre os direitos das pessoas autistas no país.

O relator da matéria, deputado Marangoni, contestou o adiamento e defendeu o conteúdo já apresentado ao colegiado.

Essa comissão não vai admitir restrição ou supressão de direitos ou garantias construídos ao longo de dez meses por deputados, deputadas, especialistas, famílias atípicas.

Marangoni, deputado federal e relator da proposta

Planos de saúde e atendimento no SUS

O texto proíbe operadoras de saúde privadas de limitarem a quantidade ou o tempo de terapias e exames prescritos para pacientes autistas. A rescisão unilateral de contratos durante tratamentos contínuos também fica vedada.

A recusa abusiva ou discriminatória de cobertura médica passa a ser enquadrada como crime de discriminação contra pessoa com deficiência. Na rede pública, a proposta determina a criação de uma rede de atenção especializada no Sistema Único de Saúde (SUS) e prioridade no diagnóstico precoce.

Adaptações escolares e suporte profissional

As escolas não poderão cobrar mensalidades ou taxas extras para matricular alunos autistas em turmas regulares. O projeto exige a presença de profissionais de apoio e atendimento pedagógico especializado em até 30 dias após a identificação da necessidade.

Os colégios também deverão adaptar uniformes para estudantes com hipersensibilidade na pele e permitir o uso de abafadores de ruído em sala de aula.

Benefícios sociais, FGTS e Imposto de Renda

O texto autoriza o trabalhador com dependente autista a movimentar a conta do FGTS para pagar tratamentos, terapias e tecnologias assistivas. Para a declaração do Imposto de Renda, o projeto libera a dedução integral dos gastos com instrução desses dependentes, sem limite de valor ou de idade.

Na área social, o texto cria o Benefício Família Atípica, que paga um adicional mensal de R$ 50 no Bolsa Família para cada integrante com deficiência ou autismo. Famílias cadastradas no Benefício de Prestação Continuada (BPC) não perderão o pagamento se conseguirem trabalho com carteira assinada ou abrirem cadastro como microempreendedor individual.

Próximos passos da tramitação

A votação deve aguardar pelo menos duas sessões do Plenário da Câmara dos Deputados para voltar à pauta da comissão. A presidente do colegiado, deputada Maria Rosas, definirá a nova data.

Como tramita em caráter conclusivo na comissão especial, o texto não precisa passar pelo Plenário se for aprovado sem recursos. A proposta seguirá diretamente para o Senado Federal antes de seguir para sanção presidencial.

Perguntas frequentes

O Estatuto do Autismo já está valendo?
Não. O texto ainda é uma proposta em análise na Câmara dos Deputados. Para entrar em vigor, o projeto precisa ser aprovado pela comissão especial, passar pelo Senado Federal e receber a sanção da Presidência da República.
O que muda para quem tem plano de saúde?
Pelo texto da proposta, os planos privados de saúde não poderão impor limites de sessões para terapias prescritas nem cancelar contratos de autistas em tratamento contínuo. A recusa injustificada de atendimento passará a ser tratada como crime de discriminação.
Como funcionará o saque do FGTS para terapias?
O substitutivo do deputado Marangoni autoriza o trabalhador que possua dependentes autistas a sacar recursos da conta do FGTS. O dinheiro liberado deve ser destinado exclusivamente ao custeio de tratamentos médicos, terapias multidisciplinares e compra de tecnologias assistivas.
O que acontece com o BPC se o cuidador começar a trabalhar?
O parecer determina que a entrada de familiares, cuidadores ou do próprio autista no mercado de trabalho formal ou como microempreendedor individual não causará o cancelamento automático do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

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