PF indicia 48 por desvios em aposentadorias do INSS
Inquérito da Operação Sem Desconto aponta retiradas ilícitas de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024 e segue para análise no STF.

A Polícia Federal (PF) indiciou 48 pessoas no encerramento da primeira etapa da Operação Sem Desconto. A investigação apura cobranças indevidas de mensalidades associativas nas folhas de pagamento de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Como funcionava a cobrança indevida nos benefícios
O inquérito policial concentrou os trabalhos na análise de descontos aplicados a segurados vinculados à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). As mensalidades saíam diretamente dos proventos de aposentados e pensionistas do INSS sem que houvesse autorização válida para o desconto.
Segundo as estimativas levantadas pelos investigadores da PF, as cobranças irregulares retiraram R$ 6,3 bilhões dos beneficiários entre os anos de 2019 e 2024. O inquérito que deu origem aos indiciamentos teve início formal em abril de 2025, após suspeitas sobre repasses a entidades associativas.
Quem são os alvos indiciados pela Polícia Federal
A lista da PF traz nomes de empresários e ex-gestores públicos. O relatório indicia o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado pelos investigadores como figura central nas operações do grupo.
Entre os indiciados também consta o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanuto. No total, a Polícia Federal concluiu o indiciamento de 48 investigados ao final do relatório do primeiro inquérito oriundo da operação.
O que muda para os aposentados neste momento
Na prática, o término do inquérito da PF representa um passo formal da investigação criminal, sem alteração imediata para quem teve valores descontados. O caso não gera devolução automática ou imediata de valores aos beneficiários nesta etapa processual.
A apuração da PF foca na responsabilização penal dos envolvidos na criação e manutenção do esquema de descontos associativos sem autorização dos segurados do INSS.
Qual é o andamento do processo no STF
A Polícia Federal enviou o relatório completo com as conclusões ao relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça. O envio marca a conclusão da primeira fase de apuração da Operação Sem Desconto.
A tramitação do processo ocorre sob segredo de Justiça. Por causa do sigilo decretado sobre os autos, a PF e o Judiciário não divulgaram a íntegra dos documentos nem o detalhamento dos depoimentos colhidos.
O que dizem as defesas dos citados
A defesa do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes declarou que ainda não obteve acesso ao relatório da investigação policial e que não vai se manifestar sobre os indiciamentos por enquanto.
A reportagem buscou contato com a defesa do ex-presidente do INSS Alessandro Stefanuto, mas não obteve retorno até a publicação. Os representantes da Conafer não foram localizados para manifestação.
Perguntas frequentes
Quem foi indiciado pela Polícia Federal no esquema do INSS?
Qual o valor total apurado nos descontos indevidos do INSS?
O dinheiro descontado dos aposentados será devolvido agora?
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