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20h56
TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Criminal

PF apura R$ 97 mi da previdência de Maceió no Banco Master

Operação cumpre mandados e bloqueia bens de investigados por aplicação irregular de aposentadorias municipais em instituição financeira liquidada.

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Operação cumpre mandados e bloqueia bens de investigados por aplicação irregular de aposentadorias municipais em instituição financeira liquidada.
Foto: Polícia Federal/divulgação

A Polícia Federal (PF) executou oito mandados de busca e apreensão nesta segunda-feira (10 de agosto) para investigar a aplicação de R$ 97 milhões da previdência municipal de Maceió em um banco privado liquidado.

A operação não altera os pagamentos dos aposentados e pensionistas do município. O Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) informou que mantém patrimônio superior a R$ 1,6 bilhão, valor que assegura a folha dos beneficiários sem interrupções.

A ação conjunta com a Controladoria-Geral da União (CGU) apura indícios de gestão fraudulenta. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a coleta de provas e ordenou o bloqueio de bens de seis investigados até o limite de R$ 97 milhões.

O que a PF investiga na previdência

Os investigadores analisam duas operações do Iprev em títulos de renda fixa emitidos pelo Banco Master. A primeira aplicação ocorreu em dezembro de 2023, no montante de R$ 97 milhões. A segunda transação aconteceu em maio de 2024, no valor de R$ 17 mil.

A PF apontou que o investimento expôs os recursos públicos a ativos de alto risco e pouca liquidez. As autorizações continham justificativas genéricas, sem estudos comparativos de mercado. Em novembro de 2025, o Banco Central (BC) determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master por graves problemas de liquidez e descumprimento das regras do sistema financeiro.

Quem são os alvos da operação

Agentes federais recolheram computadores, celulares e documentos corporativos em Alagoas e São Paulo. As buscas atingiram a sede do Iprev e a empresa de consultoria Crédito & Mercado. A polícia afirma que a consultoria assumiu competências administrativas do instituto de forma irregular para validar as operações com o banco.

O bloqueio de bens alcança seis pessoas ligadas às decisões sobre o dinheiro previdenciário:

  • João Felipe Alves Borges, secretário municipal de Fazenda e ex-conselheiro do Iprev;
  • Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-diretor-presidente do instituto;
  • Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, ex-coordenador de investimentos;
  • Renan Foglia Calamia, dirigente da consultoria contratada;
  • Marília Alexandre de Lima Alves, integrante da Secretaria de Fazenda;
  • Marcelo Brasileiro Santos, membro do comitê de investimentos.

Os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis.

Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev), em nota oficial

Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev), em nota oficial

O que dizem os envolvidos

O Iprev informou que presta esclarecimentos e colabora integralmente com os órgãos de investigação. A direção do órgão destacou que o patrimônio saldou de cerca de R$ 400 milhões em 2021 para o patamar atual, reforçando a solvência da autarquia. A reportagem não conseguiu contato com a defesa das seis pessoas citadas no processo.

Perguntas frequentes

Quem é afetado pelas investigações da Polícia Federal?
Os alvos diretos são seis investigados, incluindo ocupantes e ex-ocupantes de cargos no Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió e em consultoria privada. Os aposentados e pensionistas do município não tiveram os pagamentos interrompidos, segundo informado pela direção da previdência local.
Quanto dinheiro do Iprev foi aplicado no Banco Master?
O órgão de previdência destinou R$ 97 milhões em dezembro de 2023 e mais R$ 17 mil em maio de 2024 para a compra de papéis do Banco Master. A Polícia Federal apura se a escolha da instituição bancária envolveu gestão fraudulenta.
Por que o Banco Master entrou na mira das autoridades?
O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial da instituição privada após constatar grave crise de liquidez e descumprimento de normas do Sistema Financeiro Nacional. O encerramento das atividades do banco colocou em risco o resgate dos recursos aplicados pelo Iprev.

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