Pular para o conteúdo
Assine o boletim Publique seu artigo Anuncie 11/08/2026Entrar
PLANTÃO

Alcolumbre exige comissões para analisar PEC da escala 6x1

20h56
TUE., 11 DE AGO. DE 2026
INSS

STF completa 15 anos de união homoafetiva no Brasil

Decisão de 2011 garantiu direitos previdenciários e sucessórios a casais do mesmo sexo, mas ativistas cobram lei aprovada pelo Congresso.

Por
𝕏 f
Decisão de 2011 garantiu direitos previdenciários e sucessórios a casais do mesmo sexo, mas ativistas cobram lei aprovada pelo Congresso.

A decisão que igualou os direitos de casais do mesmo sexo aos das famílias heterossexuais completa 15 anos. O entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) garantiu acesso a benefícios previdenciários, herança e inclusão em dependentes.

O que mudou com o entendimento da Justiça

Antes do julgamento realizado em 5 de maio de 2011, casais do mesmo sexo dependiam do entendimento individual de cada juiz. Não havia garantia de direitos automáticos. Com a decisão unânime do STF, a união estável entre pessoas do mesmo sexo passou a ter a mesma validade jurídica da união entre homem e mulher.

A medida liberou a concessão de pensão por morte junto ao Instituto Nacional do Seguro Social, além de permitir inclusão em planos de saúde, dependência no Imposto de Renda e comunhão de bens. O efeito social foi imediato. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrava 58 mil casais homoafetivos em união estável em 2010. No Censo de 2022, esse total saltou para 480 mil.

Conversão em casamento civil e regras dos cartórios

Para consolidar a decisão, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou a Resolução 175 em 2013. O texto proíbe cartórios de todo o país de recusar a celebração de casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo ou a conversão de uniões estáveis em casamento.

O ativista Claudio Nascimento, presidente do Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+, converteu a união ainda em 2011 no Rio de Janeiro. A entidade promoveu campanhas informativas na porta de cartórios e organizou cerimônias coletivas, incluindo um evento que reuniu 350 casais em 2015.

Dados do IBGE referentes a 2022 apontam que 77,6% das uniões declaradas por casais do mesmo sexo são consensuais, enquanto 13,5% formalizaram a relação no civil. Do total de casais cadastrados, 58% eram compostos por mulheres e 42% por homens.

blockquote>

A lei te dá mais segurança jurídica, porque é mais difícil mudar a lei do que mudar a decisão judicial, que fica aos sabores da atual composição do STF.

Paulo Iotti, advogado especialista em Direito da Diversidade Sexual e de Gênero

Falta de lei federal e riscos no Congresso

Especialistas alertam que a proteção jurídica atual vem do Poder Judiciário, sem uma lei votada pelo Congresso Nacional. O advogado Paulo Iotti lembra que a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei em 2023 para proibir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O texto aguarda outros trâmites legislativos.

A advogada Marília Goes Guerini defende uma alteração no Código Civil para incluir o casamento e regular a parentalidade de forma explícita. Segundo juristas, uma lei formal no papel reduz o risco de retrocessos caso a composição do STF mude em julgamentos futuros.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre união estável e casamento civil?
A união estável não altera o estado civil da pessoa, que permanece solteira, divorciada ou viúva perante a lei. Ambas garantem os mesmos direitos sucessórios, de herança e de benefícios previdenciários perante os órgãos públicos.
O cartório pode recusar realizar o casamento homoafetivo?
Não. Desde 2013, por determinação do Conselho Nacional de Justiça, nenhum cartório no Brasil pode se recusar a celebrar casamentos civis nem a converter uniões estáveis de casais do mesmo sexo em casamento.
Quem tem direito a pedir pensão por morte pelo INSS?
Parceiros do mesmo sexo em união estável ou casamento civil têm os mesmos direitos assegurados pelo STF a casais heterossexuais, bastando comprovar o vínculo familiar e a dependência econômica perante o INSS.

Leia também