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20h56
TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Processo

CNDH cria plano nacional para combater neonazismo no Brasil

Órgão mapeia avanço do extremismo no país e quer regras mais duras para conter discursos de ódio nas redes sociais.

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Órgão mapeia avanço do extremismo no país e quer regras mais duras para conter discursos de ódio nas redes sociais.
Foto: TJ PA/Divulgação

O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) finalizou a etapa de campo para criar a primeira proposta de política pública nacional contra o extremismo no Brasil. A iniciativa busca frear o avanço de grupos radicais e conter a violência voltada a populações vulneráveis.

A medida não altera normas jurídicas imediatamente. O projeto busca criar diretrizes estratégicas de segurança pública, ações educativas e regras contra a disseminação de intolerância na internet. As ações têm como público prioritário os alvos recorrentes de ataques de ódio, como mulheres, pessoas com deficiência, comunidades LGBTQIA+ e minorias sociais em todo o território nacional.

Aumento de grupos extremistas no país

Levantamentos apresentados pela entidade apontam que a quantidade de células neonazistas ativas no território brasileiro subiu 270% entre 2019 e 2021. Pesquisas desenvolvidas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em 2022 confirmaram a proliferação constante de ideologias de supremacia e movimentos de matriz fascista em múltiplos estados.

Diante desse cenário, a entidade instituiu o Observatório Nacional de Enfrentamento ao Discurso de Ódio e ao Neonazismo. O braço de trabalho realizou uma série de viagens técnicas para mapear o cenário regional e articular redes locais de proteção contra condutas antidemocráticas.

A comitiva cumpriu agendas de trabalho em municípios do Sul, Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste e Norte. Os encontros passaram pelas cidades de Florianópolis e Blumenau, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Niterói, Recife e Caruaru, Goiânia e, por fim, Belém.

Ações estaduais e regulação no ambiente digital

Na capital do Pará, o observatório buscou dados regionais para dar início a uma investigação administrativa. O objetivo da apuração é subsidiar um plano estadual focado na articulação das áreas de educação, cultura, direitos humanos, segurança pública e justiça, envolvendo conselhos locais e organizações sociais.

A carência de legislação específica e a falta de regulação nas redes sociais facilitam a cooptação e a propaganda de ideologias radicais. O conselheiro Carlos Nicodemus, coordenador da relatoria especial do órgão, ressalta que a garantia de direitos constitucionais não pode acobertar crimes e agressões virtuais.

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O país tem, no reconhecimento da sua constituição democrática, a liberdade de expressão como um direito fundamental. Mas a liberdade de expressão não pode ser entendida como uma liberdade de agressão.

Carlos Nicodemus, conselheiro do Conselho Nacional de Direitos Humanos

O observatório pretende publicar um diagnóstico inicial ainda este ano com sugestões para a gestão pública. O encerramento dos trabalhos ocorre em dezembro de 2026, data em que a entidade apresentará formalmente o texto final da política pública nacional.

Perguntas frequentes

O que é o Observatório Nacional de Enfrentamento ao Discurso de Ódio?
O Observatório Nacional de Enfrentamento ao Discurso de Ódio e ao Neonazismo é uma estrutura criada pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos para mapear células radicais no Brasil. O grupo monitora manifestações extremistas na internet e elabora propostas para subsidiar políticas públicas de segurança e direitos humanos.
Quando a política nacional contra o neonazismo entra em vigor?
A proposta de política pública nacional não tem validade imediata. O Conselho Nacional de Direitos Humanos finaliza os diagnósticos regionais e prevê entregar o relatório definitivo com as diretrizes nacionais em dezembro de 2026, quando o texto será encaminhado para avaliação do Governo Federal.
Quais grupos são mais afetados pelo discurso de ódio no Brasil?
As ações do Conselho Nacional de Direitos Humanos identificam que as investidas de grupos extremistas e neonazistas atingem principalmente populações em situação de vulnerabilidade. Os alvos mais frequentes no ambiente presencial e virtual incluem mulheres, pessoas com deficiência, minorias sociais e a comunidade LGBTQIA+.
Como o governo pretende combater o neonazismo na internet?
O Conselho Nacional de Direitos Humanos defende o estabelecimento de parâmetros regulatórios para as plataformas virtuais. A entidade entende que a liberdade de expressão assegurada pela Constituição não pode servir de justificativa para praticar agressões, misoginia e disseminar ideologias fascistas nas redes sociais.

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