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20h56
TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Processo

DPU pede ao STF veto às novas leis do licenciamento

Órgão quer entrar em três ações no Supremo para derrubar regras flexibilizadas aprovadas pelo Congresso após derrubada de vetos.

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Órgão quer entrar em três ações no Supremo para derrubar regras flexibilizadas aprovadas pelo Congresso após derrubada de vetos.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A Defensoria Pública da União (DPU) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a anulação das novas regras do licenciamento ambiental brasileiro. O órgão protocolou parecer em três ações diretas de inconstitucionalidade para tentar travar os efeitos das normas aprovadas pelo Congresso.

Nada muda por enquanto na legislação do país. As empresas e órgãos públicos continuam aplicando a Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei 15.190/2025) e a Lei da Licença Ambiental Especial (Lei 15.300/2025), em vigor desde fevereiro de 2025. Caso o STF atenda aos pedidos e declare os textos inválidos, a exigência de licenças rigorosas voltará a valer para todos os projetos econômicos de médio e grande impacto no território nacional.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a aplicar 63 vetos ao texto aprovado pelo Poder Legislativo. O Congresso Nacional derrubou as rejeições presidenciais e reativou os trechos. As normas atuais liberam obras de médio risco ambiental do processo completo de licenciamento e dispensam estudos prévios sobre danos à natureza em casos específicos.

Por que a DPU considera as leis inconstitucionais

A DPU afirma que a nova legislação subverte as garantias da Constituição Federal ao colocar a expansão econômica acima da preservação ecológica. Segundo a petição enviada ao relator, o ministro Alexandre de Moraes, facilitar alvarás ambientais eleva riscos de destruição da biodiversidade e força o deslocamento involuntário de populações.

Os defensores sustentam que o mecanismo de autorização ambiental nunca serviu para travar negócios, mas para compatibilizar o progresso econômico com a proteção da vida e do patrimônio cultural. A mudança legal também limita a participação de entidades técnicas no debate de concessão das licenças.

A flexibilização do licenciamento, especialmente quando reduz a participação da Funai, dispensa estudos técnicos ou limita a avaliação dos impactos indiretos, expõe esses povos a riscos incompatíveis com a Constituição e com os compromissos internacionais assumidos pelo Estado brasileiro.

Defensoria Pública da União, em manifestação ao STF

Defensoria Pública da União, em manifestação ao STF

O papel do amicus curiae na decisão do Supremo

Ao solicitar o posto de amicus curiae — figura jurídica que fornece dados técnicos para auxiliar julgamentos —, a DPU tenta garantir voz na tramitação conduzida por Alexandre de Moraes. Caso o ministro aceite a entrada do órgão público, as manifestações escritas da defensoria integrarão o dossier oficial da votação em Plenário.

Partidos políticos e entidades civis acionaram o Judiciário logo após a promulgação das normas. Eles sustentam que a lei criada via medida provisória agravou os retrocessos previstos no texto principal. O tribunal precisa decidir se concede medida cautelar para suspender a eficácia das regras ou se aguarda o julgamento definitivo do mérito.

Perguntas frequentes

As regras do licenciamento ambiental continuam valendo?
Sim. As normas seguem em vigor desde fevereiro de 2025. O pedido da Defensoria Pública da União no Supremo Tribunal Federal ainda precisa ser analisado pelo ministro relator, e nenhuma decisão liminar suspendeu o funcionamento das leis até o momento.
O que é amicus curiae e por que a DPU pediu essa condição?
O termo indica um terceiro que entra no processo para oferecer pareceres técnicos sobre temas complexos. A Defensoria Pública da União pediu o ingresso para levar aos ministros do Supremo Tribunal Federal estudos sobre os prejuízos ambientais e sociais provocados pelas novas leis.
O que muda para empreendedores se o STF derrubar as leis?
Se o Supremo Tribunal Federal acolher as ações de inconstitucionalidade, as empresas voltarão a ser obrigadas a apresentar estudos completos de impacto ambiental e a submeter projetos de médio risco a processos de fiscalização rigorosos junto aos órgãos ambientais competentes.
Qual o papel da Funai no novo licenciamento ambiental?
O novo texto legal reduziu a interferência da Fundação Nacional dos Povos Indígenas na emissão de licenças. A Defensoria Pública da União argumenta que essa limitação viola a Constituição por deixar comunidades tradicionais desprotegidas contra os impactos de grandes obras.

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