DPU pede ao STF veto às novas leis do licenciamento
Órgão quer entrar em três ações no Supremo para derrubar regras flexibilizadas aprovadas pelo Congresso após derrubada de vetos.

A Defensoria Pública da União (DPU) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a anulação das novas regras do licenciamento ambiental brasileiro. O órgão protocolou parecer em três ações diretas de inconstitucionalidade para tentar travar os efeitos das normas aprovadas pelo Congresso.
Nada muda por enquanto na legislação do país. As empresas e órgãos públicos continuam aplicando a Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei 15.190/2025) e a Lei da Licença Ambiental Especial (Lei 15.300/2025), em vigor desde fevereiro de 2025. Caso o STF atenda aos pedidos e declare os textos inválidos, a exigência de licenças rigorosas voltará a valer para todos os projetos econômicos de médio e grande impacto no território nacional.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a aplicar 63 vetos ao texto aprovado pelo Poder Legislativo. O Congresso Nacional derrubou as rejeições presidenciais e reativou os trechos. As normas atuais liberam obras de médio risco ambiental do processo completo de licenciamento e dispensam estudos prévios sobre danos à natureza em casos específicos.
Por que a DPU considera as leis inconstitucionais
A DPU afirma que a nova legislação subverte as garantias da Constituição Federal ao colocar a expansão econômica acima da preservação ecológica. Segundo a petição enviada ao relator, o ministro Alexandre de Moraes, facilitar alvarás ambientais eleva riscos de destruição da biodiversidade e força o deslocamento involuntário de populações.
Os defensores sustentam que o mecanismo de autorização ambiental nunca serviu para travar negócios, mas para compatibilizar o progresso econômico com a proteção da vida e do patrimônio cultural. A mudança legal também limita a participação de entidades técnicas no debate de concessão das licenças.
A flexibilização do licenciamento, especialmente quando reduz a participação da Funai, dispensa estudos técnicos ou limita a avaliação dos impactos indiretos, expõe esses povos a riscos incompatíveis com a Constituição e com os compromissos internacionais assumidos pelo Estado brasileiro.
Defensoria Pública da União, em manifestação ao STF
Defensoria Pública da União, em manifestação ao STF
O papel do amicus curiae na decisão do Supremo
Ao solicitar o posto de amicus curiae — figura jurídica que fornece dados técnicos para auxiliar julgamentos —, a DPU tenta garantir voz na tramitação conduzida por Alexandre de Moraes. Caso o ministro aceite a entrada do órgão público, as manifestações escritas da defensoria integrarão o dossier oficial da votação em Plenário.
Partidos políticos e entidades civis acionaram o Judiciário logo após a promulgação das normas. Eles sustentam que a lei criada via medida provisória agravou os retrocessos previstos no texto principal. O tribunal precisa decidir se concede medida cautelar para suspender a eficácia das regras ou se aguarda o julgamento definitivo do mérito.
Perguntas frequentes
As regras do licenciamento ambiental continuam valendo?
O que é amicus curiae e por que a DPU pediu essa condição?
O que muda para empreendedores se o STF derrubar as leis?
Qual o papel da Funai no novo licenciamento ambiental?
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