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21h29
WED., 19 DE AGO. DE 2026
Saúde

SUS pode priorizar diálise em casa para doentes renais

Projeto aprovado na Comissão de Saúde da Câmara substitui teto de distância por diretrizes de atendimento domiciliar e telemonitoramento.

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Projeto aprovado na Comissão de Saúde da Câmara substitui teto de distância por diretrizes de atendimento domiciliar e telemonitoramento.
Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou proposta que estimula o tratamento renal em domicílio pelo Sistema Único de Saúde (SUS), reduzindo o desgaste de viagens frequentes para pacientes crônicos.

O que muda na rotina do paciente

A medida permite que postos e hospitais deem preferência a procedimentos feitos na casa do cidadão, a exemplo da diálise peritoneal domiciliar. Essa modalidade dispensa viagens contínuas até unidades de hemodiálise, o que alivia a rotina de quem mora longe dos grandes centros urbanos.

A mudança consta no substitutivo — texto alternativo apresentado pelo relator — da deputada Silvia Cristina para o Projeto de Lei 2068/25. A proposta original, de autoria do deputado Eduardo da Fonte, pretendia obrigar o poder público a garantir clínicas de hemodiálise a uma distância máxima de 50 quilômetros da casa de cada paciente.

Por que o limite de distância foi retirado

A relatora retirou o teto de quilometragem por considerar a regra inviável do ponto de vista financeiro e operacional. Fixar essa obrigação criaria despesas automáticas para a União sem fonte de custeio definida, o que contraria a legislação orçamentária.

A distribuição nacional dos serviços de diálise não se orienta apenas por critérios geográficos, mas por parâmetros epidemiológicos, escala assistencial, capacidade instalada e pactuação interfederativa.

Silvia Cristina, deputada e relatora do projeto

Tecnologia e orçamento local

Em substituição à exigência de distância fixa, o texto estabelece o uso de telessaúde e monitoramento remoto de pacientes. As equipes de saúde poderão orientar o doente à distância, integrando o acompanhamento aos serviços locais de transporte sanitário já existentes.

A aplicação prática dessas diretrizes fica condicionada à disponibilidade financeira de cada estado e município. O objetivo é evitar a imposição de despesas obrigatórias que sobrecarreguem as contas dos entes locais.

Próximos passos da tramitação

Nada muda nos atendimentos por enquanto. O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda precisa passar pelo crivo da Comissão de Finanças e Tributação e da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Caso passe pelas comissões sem recursos para votação em Plenário, a matéria segue para análise no Senado Federal antes de seguir para sanção e virar lei.

Perguntas frequentes

Como funciona o tratamento renal em casa previsto pelo projeto?
O texto prioriza a diálise peritoneal domiciliar, procedimento realizado na residência do paciente. O formato reduz o deslocamento frequente até clínicas e hospitais, contando com acompanhamento médico à distância e integração com o transporte sanitário do Sistema Único de Saúde.
Por que o limite de 50 quilômetros não foi mantido?
A deputada Silvia Cristina avaliou que a exigência criaria novos gastos para a União sem previsão orçamentária. A instalação de serviços de hemodiálise precisa seguir critérios técnicos, capacidade de atendimento hospitalar e acordos entre governos, e não apenas distâncias geográficas.
As novas diretrizes já estão valendo no SUS?
Não. A proposta foi aprovada apenas na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados. O projeto ainda será analisado por duas comissões temáticas e precisa da aprovação do Senado Federal antes de virar lei definitiva.

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