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20h56
TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Trabalho

MTE resgata 29 trabalhadores escravizados na BA e em PE

Ação em três pedreiras garantiu quase R$ 500 mil em indenizações aos resgatados e revelou comida guardada junto de produtos tóxicos.

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Ação em três pedreiras garantiu quase R$ 500 mil em indenizações aos resgatados e revelou comida guardada junto de produtos tóxicos.
Foto: Wellyngton Souza/Sesp-MT

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou 29 trabalhadores em situação análoga à escravidão em três pedreiras no interior da Bahia e de Pernambuco. As vítimas extraíam pedras para obras públicas de pavimentação.

A fiscalização ocorreu nos municípios baianos de Sento Sé e Casa Nova, além de Santa Cruz, em Pernambuco. No local, os fiscais encontraram alojamentos de lona, trabalhadores dormindo em colchões no chão e sem acesso a água potável. Faltavam equipamentos de proteção para manusear o material.

Como funcionava a exploração nas pedreiras

As empresas mantinham os funcionários sob riscos graves e contínuos de contaminação e acidentes graves. Em um dos alojamentos inspecionados, a equipe fiscalizadora localizou alimentos armazenados ao lado de substâncias tóxicas. Vários dispositivos de trabalho acabaram interditados no local por conta da falta de segurança mínima aos operários.

Em uma das pedreiras fiscalizadas, a equipe encontrou alimentos armazenados junto a substâncias tóxicas no alojamento. Parte dos equipamentos utilizados nas atividades também foi interditada devido ao risco oferecido aos trabalhadores.

Defensoria Pública da União

Defensoria Pública da União

O que muda para as vítimas resgatadas

Os trabalhadores resgatados vão receber pagamentos trabalhistas e reparações financeiras diretas dos empregadores das pedreiras. A Defensoria Pública da União (DPU) informou nesta segunda-feira (13) a assinatura de Termos de Ajustamento de Conduta com as empresas para garantir a quitação imediata de todas essas dívidas.

Os patrões vão pagar quase R$ 500 mil somando verbas rescisórias e reparações individuais. A força-tarefa, formada também pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Polícia Federal (PF), estipulou compensações por danos morais coletivos nos valores de R$ 30 mil e R$ 102,5 mil.

Irregularidades na extração de minérios

A fiscalização identificou indícios de extração mineral sem a devida licença do órgão regulador competente na região. As autoridades responsáveis devem apurar a exploração ilegal de pedras nos locais inspecionados. A legislação brasileira enquadra a prática como crime quando há violação de direitos trabalhistas.

A legislação brasileira conceitua o trabalho análogo à escravidão pela presença de jornada exaustiva, servidão por dívida, trabalho forçado ou alojamento degradante. Denúncias anônimas podem ser feitas no Sistema IPÊ do governo federal.

Perguntas frequentes

Quanto os trabalhadores resgatados vão receber?
As empresas envolvidas pagarão quase R$ 500 mil divididos entre verbas rescisórias e reparações individuais aos 29 trabalhadores resgatados. Além disso, a Defensoria Pública da União e o Ministério Público do Trabalho fixaram indenizações por danos morais coletivos que chegam a R$ 102,5 mil no total do acordo.
Quais cidades foram alvo da fiscalização?
A operação do Ministério do Trabalho e Emprego inspecionou pedreiras nos municípios de Sento Sé e Casa Nova, no estado da Bahia, e Santa Cruz, em Pernambuco. A extração de pedras nessas regiões atendia obras de pavimentação contratadas inclusive por prefeituras locais daquela área.
Como denunciar trabalho escravo no Brasil?
Qualquer pessoa pode fazer denúncias anônimas sobre trabalho em condição análoga à escravidão por meio do Sistema IPÊ, que é o canal oficial do governo federal. O sistema registra relatos de alojamentos degradantes, falta de água, jornadas exaustivas e servidão por dívidas acumuladas.

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