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20h56
TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Agrário

Milei recua e tira de pauta projeto de venda de terras

Pressão popular e falta de apoio no Senado travaram proposta que ampliava compra de imóveis rurais por estrangeiros na Argentina.

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Pressão popular e falta de apoio no Senado travaram proposta que ampliava compra de imóveis rurais por estrangeiros na Argentina.

O presidente argentino Javier Milei retirou de pauta a proposta que facilitava a aquisição de imóveis rurais por estrangeiros na Argentina. A manobra ocorreu após forte oposição popular e falta de votos no Senado.

O que mudaria na venda de terras argentinas

A regra atual impõe um teto para a compra de imóveis rurais por estrangeiros. O texto que iria a voto nesta quinta-feira (6) buscava elevar de 15% para 25% o limite da área de cada província nas mãos de proprietários de fora do país.

Antes dessa versão mais moderada, o Poder Executivo tentou extinguir qualquer limitação em dezembro de 2023, por meio de decreto. O Poder Judiciário barrava essa mudança desde então. Segundo a gestão de Milei, restrições sobre a propriedade privada afugentam investimentos internacionais.

Pressão popular e a questão da soberania

A mobilização contra o projeto reuniu governadores, ambientalistas, artistas e atletas. A lembrança do conflito militar pelas ilhas Malvinas impulsionou os protestos pelas ruas do país, associando a defesa do território nacional à rejeição da proposta.

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Quando se coloca um tema sensível como soberania e como presença estrangeira comprando terras e ocupando território nacional, logicamente aí se trata de um assunto sensível politicamente.

Leandro Gabiati, cientista político

Para o cientista político Leandro Gabiati, a resistência de governadores estaduais decisivos sobre a bancada de senadores enfraqueceu o governo. O tema provocou divergências na própria gestão, levando a vice-presidente Victoria Villarruel a se posicionar contra a proposta.

Outras medidas do pacote continuam em pauta

Apesar do recuo sobre o teto imobiliário, a Casa Rosada manteve na pauta votações da chamada Lei de Inviolabilidade da Propriedade Privada. O pacote traz facilidades para despejos e altera regras de proteção ambiental.

O texto permite negociar áreas protegidas que sofreram incêndios florestais. Atualmente, a legislação argentina impede a alienação de regiões queimadas por 30 anos para desestimular queimadas criminosas. O professor Hernán Hougassian, da Universidade de Buenos Aires, critica a flexibilização por abrir brechas para especulação imobiliária.

Perguntas frequentes

O que dizia o projeto sobre a venda de terras a estrangeiros?
A proposta pretendia expandir o limite máximo de terras agrícolas que estrangeiros podem possuir em cada província argentina, subindo a margem de 15% para 25%. A intenção do governo era atrair capital internacional, mas o texto acabou retirado de pauta antes da votação no Senado.
Quem se opôs ao projeto do governo argentino?
Uma frente ampla formada por governadores de províncias, senadores, artistas, ambientalistas, jogadores de futebol e a própria vice-presidente Victoria Villarruel pressionou contra o projeto. A oposição usou a defesa da soberania nacional como principal argumento para travar a tramitação.
A proibição de venda de terras queimadas foi cancelada?
Não. O recuo do governo ocorreu apenas na matéria sobre terras para estrangeiros. O projeto que autoriza o loteamento e venda de áreas ambientais atingidas por incêndios continua em discussão, apesar das críticas de ambientalistas contra o risco de queimadas criminosas.
Quando o projeto de venda de terras volta a ser votado?
Não há data prevista. O governo de Javier Milei afirmou que está reavaliando a proposta e não declarou o arquivamento definitivo, mas o texto não possui novo prazo para retornar ao plenário do Senado.

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