Anac suspende 4 empresas de voos panorâmicos no Rio
Medida atinge aeronaves irregulares após série de acidentes com helicópteros que deixaram 13 mortos na capital fluminense.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu as atividades de quatro empresas e reteve nove helicópteros que operavam passeios panorâmicos na capital fluminense. O anúncio ocorreu nesta terça-feira (18 de agosto de 2026) na sede do Centro de Operações e Resiliência (COR).
As vistorias foram intensificadas após pedidos da administração municipal diante de quedas de aeronaves ocorridas nos últimos meses. Ao todo, 13 mortes em acidentes com helicópteros foram registradas no município desde janeiro.
O que a fiscalização encontrou no Rio
A Anac inspecionou nove das 12 empresas autorizadas a prestar serviços turísticos na cidade. Os técnicos constataram irregularidades nos sistemas de segurança de quase metade do setor, o que levou à paralisação imediata de nove helicópteros e quatro companhias que desrespeitavam regras operacionais.
As equipes de auditoria checaram o Sistema de Gerenciamento da Segurança Operacional (SGSO), que reúne os procedimentos internos para prevenir acidentes, além de executarem vistorias mecânicas em 18 aeronaves.
Estamos falando de 50% até hoje das atividades de voos panorâmicos do Rio de Janeiro que estão com algum tipo de irregularidade. Esse é um número preocupante e altíssimo
Tiago Chagas Faierstein, diretor-presidente da Anac
O diretor-presidente da agência, Tiago Chagas Faierstein, informou que as ações de inteligência continuarão de modo permanente. O pente-fino vai avançar sobre oficinas de manutenção aeronáutica e companhias de táxi-aéreo para verificar fraudes em registros técnicos e falhas de reparo.
Medidas municipais e veto a heliponto
A Prefeitura do Rio de Janeiro suspendeu a utilização do heliponto da Lagoa por cinco companhias de turismo aéreo. A administração municipal constatou o descumprimento de rotas obrigatórias após o acidente que matou quatro pessoas na Floresta da Tijuca no dia 8 de agosto.
O prefeito Eduardo Cavaliere apontou que o aumento da demanda turística exige maior rigor no setor aéreo. No dia 14 de junho, outro acidente envolvendo a colisão de dois helicópteros no Recreio dos Bandeirantes deixou seis vítimas fatais.
Segundo o secretário municipal da Casa Civil, Leandro Matieli, as operadoras descumpriam o Regulamento Brasileiro da Aviação Civil 136 (RBAC 136), norma que exige que o passeio panorâmico termine no mesmo local de decolagem. As empresas utilizavam o espaço da Lagoa para desembarques indevidos.
Mudança de regras e consulta pública
A Anac prepara uma revisão completa do RBAC 136 para atualizar as exigências do setor turístico. O processo terá participação da sociedade por meio de consulta pública.
A revisão pretende redefinir critérios para treinamento de pilotos, estrutura mínima das empresas e rotinas de manutenção preventiva de aeronaves em operação no país.
Perguntas frequentes
Quantas empresas de voo panorâmico foram suspensas?
Por que o heliponto da Lagoa teve operações vetadas?
Onde checar se o helicóptero tem autorização para voar?
Quais regras da aviação civil serão alteradas?
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