Polícia e MP miram lavagem de R$ 100 milhões de facções
Operação Hawala cumpre mandados em quatro estados contra esquema financeiro do TCP, CV e PCC com suspeita de elo com terrorismo.

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) cumprem mandados para travar um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 100 milhões. A rede financeira atendeu a três das maiores organizações criminosas do país entre 2021 e 2024.
O que muda na prática com a operação
A Operação Hawala ataca o braço financeiro do crime organizado. Em vez de focar apenas na apreensão de drogas nas ruas, a ação bloqueia a circulação do capital ilícito que alimenta a compra de armas e a expansão de territórios. A ofensiva atinge negócios ocultos mantidos em quatro estados e suspende transações que abasteciam os cofres das facções.
Como funcionava a movimentação milionária
As investigações revelaram que os criminosos usavam empresas de fachada recém-criadas para simular negócios legítimos. O grupo misturava quantias vindas do tráfico de drogas, de roubos e do comércio de mercadorias falsificadas com operações comerciais simuladas.
Para burlar a fiscalização dos bancos, a rede fazia depósitos fracionados em valores pequenos e contratava contadores para fraudar balanços. O esquema dependia também de laranjas, intermediários que cederam nomes e contas bancárias para ocultar a identidade dos verdadeiros chefes do tráfico. Análises bancárias apontaram movimentações incompatíveis com a capacidade financeira dos suspeitos.
Mandados e alvos em quatro estados
A Justiça estadual acolheu a denúncia do MPRJ contra 22 pessoas e determinou a prisão preventiva com 10 mandados de prisão. Policiais civis saíram às ruas nesta quinta-feira (15) para cumprir as ordens judiciais e efetuar buscas no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Minas Gerais e em Foz do Iguaçu, no Paraná. Até o começo da manhã, os agentes prenderam 8 pessoas.
Conexão investigada com o terrorismo internacional
O caso ganhou nova dimensão quando os investigadores mapearam a origem das operações financeiras no Complexo de São Carlos, área dominada pelo Terceiro Comando Puro (TCP). A apuração mostrou que o mesmo canal de lavagem servia ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A investigação identificou transações comerciais entre um dos suspeitos e um homem punido pelo governo dos Estados Unidos por financiar a Al-Qaeda. A Polícia Civil aprofunda as apurações para confirmar se o sistema brasileiro transferiu capital para a organização terrorista internacional.
Perguntas frequentes
Quem são os alvos da Operação Hawala?
Como as facções lavavam o dinheiro do crime?
Onde a polícia cumpriu os mandados judiciais?
Há ligação entre as facções brasileiras e o terrorismo?
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