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20h56
TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Criminal

Polícia e MP miram lavagem de R$ 100 milhões de facções

Operação Hawala cumpre mandados em quatro estados contra esquema financeiro do TCP, CV e PCC com suspeita de elo com terrorismo.

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Operação Hawala cumpre mandados em quatro estados contra esquema financeiro do TCP, CV e PCC com suspeita de elo com terrorismo.
Foto: Polícia Federal RJ/Divulgação

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) cumprem mandados para travar um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 100 milhões. A rede financeira atendeu a três das maiores organizações criminosas do país entre 2021 e 2024.

O que muda na prática com a operação

A Operação Hawala ataca o braço financeiro do crime organizado. Em vez de focar apenas na apreensão de drogas nas ruas, a ação bloqueia a circulação do capital ilícito que alimenta a compra de armas e a expansão de territórios. A ofensiva atinge negócios ocultos mantidos em quatro estados e suspende transações que abasteciam os cofres das facções.

Como funcionava a movimentação milionária

As investigações revelaram que os criminosos usavam empresas de fachada recém-criadas para simular negócios legítimos. O grupo misturava quantias vindas do tráfico de drogas, de roubos e do comércio de mercadorias falsificadas com operações comerciais simuladas.

Para burlar a fiscalização dos bancos, a rede fazia depósitos fracionados em valores pequenos e contratava contadores para fraudar balanços. O esquema dependia também de laranjas, intermediários que cederam nomes e contas bancárias para ocultar a identidade dos verdadeiros chefes do tráfico. Análises bancárias apontaram movimentações incompatíveis com a capacidade financeira dos suspeitos.

Mandados e alvos em quatro estados

A Justiça estadual acolheu a denúncia do MPRJ contra 22 pessoas e determinou a prisão preventiva com 10 mandados de prisão. Policiais civis saíram às ruas nesta quinta-feira (15) para cumprir as ordens judiciais e efetuar buscas no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Minas Gerais e em Foz do Iguaçu, no Paraná. Até o começo da manhã, os agentes prenderam 8 pessoas.

Conexão investigada com o terrorismo internacional

O caso ganhou nova dimensão quando os investigadores mapearam a origem das operações financeiras no Complexo de São Carlos, área dominada pelo Terceiro Comando Puro (TCP). A apuração mostrou que o mesmo canal de lavagem servia ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A investigação identificou transações comerciais entre um dos suspeitos e um homem punido pelo governo dos Estados Unidos por financiar a Al-Qaeda. A Polícia Civil aprofunda as apurações para confirmar se o sistema brasileiro transferiu capital para a organização terrorista internacional.

Perguntas frequentes

Quem são os alvos da Operação Hawala?
A operação mira 22 denunciados pelo Ministério Público por integrar um esquema de lavagem de dinheiro das facções Terceiro Comando Puro, Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital. A Justiça expediu dez mandados de prisão preventiva executados em quatro estados brasileiros.
Como as facções lavavam o dinheiro do crime?
Os suspeitos usavam empresas de fachada, depósitos bancários fracionados em pequenos valores e nomes de laranjas. Contadores cooptados ajudavam a disfarçar recursos obtidos com o tráfico de drogas, receptação qualificada e venda de produtos falsificados.
Onde a polícia cumpriu os mandados judiciais?
As equipes da Polícia Civil e do Ministério Público cumpriram ordens de prisão e de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, além da cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná.
Há ligação entre as facções brasileiras e o terrorismo?
A Polícia Civil investiga essa hipótese. Os agentes identificaram relação comercial entre um dos investigados e um homem sancionado pelos Estados Unidos por integrar a rede de financiamento da organização Al-Qaeda.

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