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21h56
THU., 13 DE AGO. DE 2026
Criminal

PF indicia 16 pessoas por queda de avião da Voepass

Investigação aponta que a empresa orientava pilotos a esconder falhas técnicas graves no relatório para não paralisar voos no país.

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Investigação aponta que a empresa orientava pilotos a esconder falhas técnicas graves no relatório para não paralisar voos no país.
Foto: Secretária de Segurança de São Paulo/Divulgação

A Polícia Federal (PF) concluiu a investigação sobre o acidente com o avião da Voepass Linhas Aéreas em Vinhedo e responsabilizou formalmente 16 pessoas. O desastre em agosto de 2024 deixou 62 mortos.

Entre os alvos do indiciamento está o presidente da companhia aérea, José Luiz Felício Filho, além de diretores, mecânicos e chefes de operações. A Justiça Federal determinou a retenção dos passaportes de todos os investigados, que não podem deixar o território brasileiro ou devem retornar imediatamente caso estejam no exterior.

O que a investigação descobriu sobre as falhas

A apuração policial apontou que o avião ATR 72-500 decolou sem condições técnicas adequadas para enfrentar o clima da rota, marcada por formação severa de gelo. O sistema de degelo e o limpador do para-brisa estavam inoperantes. Mesmo com alertas sonoros e luminosos acionados na cabine durante o voo, a tripulação não tomou atitudes corretivas.

A apuração revelou também que a Voepass orientava a equipe a omitir falhas mecânicas em relatórios oficiais de bordo para evitar a paralisação das aeronaves.

A investigação comprova que havia, por parte da chefia dos pilotos, e da direção de operações, orientação para não reportar as falhas, porque as falhas poderiam parar a aeronave, impedindo um voo subsequente.

André Ribeiro, delegado chefe da Polícia Federal em Campinas

André Ribeiro, delegado chefe da Polícia Federal em Campinas

Quais são as acusações e as penas previstas

A PF atribuiu o crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo a 15 investigados. A pena base varia de 4 a 12 anos de prisão. Quando o crime resulta em morte, o tempo de reclusão dobra, passando para uma faixa entre 8 a 24 anos.

O comandante do voo feito na madrugada anterior acabou indiciado por falsidade ideológica por ter entregue a aeronave sem registrar os defeitos identificados no painel.

O que acontece agora com o processo

O inquérito policial segue agora para o Ministério Público Federal (MPF). O MPF tem a atribuição de decidir se apresenta a denúncia formal à Justiça, se pede o arquivamento do caso ou se determina novas diligências.

A PF também pediu autorização judicial para compartilhar o acervo de provas com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e com a Procuradoria da República no Distrito Federal. A intenção é apurar se servidores da agência reguladora omitiram-se na fiscalização da companhia aérea.

Paralelamente ao processo criminal, a Associação de Familiares das Vítimas informou que pretende mover uma ação coletiva de reparação por danos morais contra a empresa aérea.

Perguntas frequentes

Quem foram os indiciados pela Polícia Federal no caso Voepass?
A Polícia Federal indiciou 16 pessoas ligadas à Voepass Linhas Aéreas, incluindo o presidente da companhia, José Luiz Felício Filho, diretores, mecânicos, chefes de operações e de manutenção.
Qual é a pena para o crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo?
A pena para o crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo varia de 4 a 12 anos de prisão. Como o acidente provocou mortes, a pena dobra e pode chegar a 24 anos de reclusão.
Os investigados da Voepass podem ser presos agora?
O indiciamento é a conclusão do inquérito policial. Cabe ao Ministério Público Federal avaliar o relatório e decidir se apresenta denúncia formal à Justiça. Apenas se a Justiça aceitar a acusação e julgar os réus culpados haverá condenação criminal.
Quais medidas cautelares a Justiça aplicou aos indiciados?
A Justiça Federal determinou que todos os 16 indiciados fiquem proibidos de deixar o Brasil. Quem estiver fora do país deve retornar imediatamente enquanto o Ministério Público Federal analisa o inquérito.

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