Justiça prende PMs por descumprir prisão domiciliar no RJ
Policiais ligados ao contraventor Rogério Andrade desrespeitaram tornozeleira e regras de recolhimento no Rio de Janeiro.

A Justiça fluminense mandou prender três policiais militares acusados de integrar o núcleo de segurança do contraventor Rogério Andrade. Os agentes descumpriram repetidamente as regras da prisão domiciliar e desligaram a tornozeleira eletrônica no Rio de Janeiro.
A nova ordem judicial altera o status dos réus, que perdem a concessão do benefício e retornam para o regime fechado em unidade prisional. A determinação atinge os policiais militares Carlos Fernando Dias Chaves, Carlos Magno Mariano de Souza e Waldeci Barbosa Nunes.
Violação frequente das cautelares judiciais
A conversão para a prisão preventiva ocorreu depois que o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), apresentou provas de infrações rotineiras. Os acusados tínham a obrigação de cumprir o recolhimento noturno e permanecer em casa aos sábados e domingos, mas desrespeitaram as medidas impostas pela Justiça.
A situação mais grave envolve o policial Carlos Fernando. Os relatórios técnicos de monitoramento registraram que o aparelho de tornozeleira eletrônica ficou completamente sem bateria em nove dias distintos. Em uma das ocasiões, o equipamento transmissor permaneceu desligado por mais de três dias consecutivos. De acordo com o MPRJ, essa conduta inviabilizou a fiscalização estatal e colocou em risco a ordem pública.
Operação e escolta armada da contravenção
O cumprimento das ordens judiciais executado nesta terça-feira (28) envolveu a Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) do Ministério Público e a Corregedoria da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Os investigados respondem à ação penal referente à Operação Pretorianos, instaurada para desmantelar a rede de proteção armada do jogo ilegal.
As apurações apontam que Rogério Andrade e Flávio da Silva Santos, conhecido como Flávio da Mocidade, chefiam a principal organização dedicada aos jogos de azar no estado. O grupo criminoso gerenciava os pontos de aposta, disputava territórios de forma violenta com rivais e mantinha um esquema de corrupção com repasse sistemático de propina para agentes das Polícias Civil e Militar.
Balanço das investigações e presídio federal
A fase inicial da Operação Pretorianos foi deflagrada em março de 2024 para cumprir 20 mandados de prisão e 50 de busca e apreensão no estado. A denúncia oferecida pelo Gaeco à Justiça resultou na responsabilização de 31 pessoas pelo crime de organização criminosa, incluindo 18 policiais militares da ativa e um policial penal.
Em paralelo ao andamento do processo contra os subordinados, a cúpula da organização continua sob isolamento rigoroso. Em 26 de novembro de 2025, o Ministério Público obteve decisão favorável na Justiça para manter o contraventor Rogério Andrade custodiado no presídio federal de segurança máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.
Perguntas frequentes
Por que os policiais militares perderam a prisão domiciliar?
Qual é a acusação principal contra os três agentes?
Onde o contraventor Rogério Andrade está preso?
Leia também



