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20h56
TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Família

Estado pede desculpas por ex-aluno morto na ditadura

O pedido oficial de reparação homenageia Paulo de Tarso Celestino da Silva, preso e torturado em 1971 após perseguição do regime militar.

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O pedido oficial de reparação homenageia Paulo de Tarso Celestino da Silva, preso e torturado em 1971 após perseguição do regime militar.
Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

O Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania pediu desculpas oficiais pelo desaparecimento de Paulo de Tarso Celestino da Silva, ex-aluno da Universidade de Brasília (UnB) assassinado pela ditadura militar.

A cerimônia realizada no campus universitário busca reparar simbolicamente os familiares do estudante e a sociedade brasileira. A homenagem reuniu parentes, ex-colegas de turma e integrantes da Comissão de Mortos e Desaparecidos e da Comissão de Anistia.

Paulo de Tarso cursou Direito na UnB até 1969 e militou na Ação Libertadora Nacional (ALN). Agentes do DOI-CODI capturaram o ex-estudante aos 27 anos, no Rio de Janeiro, em 12 de julho de 1971, ao lado de Heleny Ferreira Telles Guariba. Ele era filho do ex-deputado federal Pedro Celestino da Silva, cassado pelo AI-5.

Tortura e desaparecimento na Casa da Morte

O ex-aluno foi transferido para um centro clandestino do Centro de Inteligência do Exército (CIE) em Petrópolis, conhecido como Casa da Morte. Depoimentos prestados à Comissão da Verdade revelam que Paulo de Tarso sofreu torturas por 48 horas seguidas antes de ser executado.

A ex-presa política Inês Etienne Romeu relatou ter presenciado as agressões no local. Investigações oficiais indicam que agentes do regime ocultaram os restos mortais das vítimas esquartejando os corpos. Formalmente, a Lei 9.140, de 1995, reconheceu o falecimento do estudante.

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O seu desaparecimento representa uma das faces mais cruéis da violência praticada pelo Estado durante a ditadura militar. A ausência de respostas sobre o seu destino ainda impede a sua família de exercer plenamente o seu direito ao luto e desafia toda a sociedade brasileira na busca pela verdade e pela memória

Janine Melo, ministra dos Direitos Humanos e Cidadania

Defesa da memória e autonomia universitária

A ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Janine Melo, destacou que o reconhecimento das violações faz parte de uma agenda contínua de memória e verdade. A reitora da UnB, Rozana Naves, ressaltou o impacto das perseguições políticas dentro das instituições de ensino durante o regime autoritário.

Perguntas frequentes

Quem foi Paulo de Tarso Celestino da Silva?
Paulo de Tarso foi um ex-estudante de Direito da Universidade de Brasília e militante político. Ele foi preso e torturado por agentes da ditadura militar em 12 de julho de 1971, permanecendo desaparecido desde então.
O que significa o pedido de desculpas do Estado?
O pedido público de desculpas promovido pelo Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania constitui uma reparação simbólica. A iniciativa reconhece oficialmente a responsabilidade do Estado brasileiro pelas violações e assassinatos cometidos pelo regime militar.
Como foi confirmado o falecimento do ex-estudante?
O reconhecimento oficial do falecimento ocorreu por meio da Lei 9.140, de 1995. Investigações da Comissão da Verdade e depoimentos de testemunhas confirmaram sua execução e a ocultação de cadáver na Casa da Morte.

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