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20h56
TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Família

Violentômetro da OAB-DF ajuda a identificar abusos

Guia lançado nos 20 anos da Lei Maria da Penha divide agressões em três níveis para facilitar o pedido de socorro antes do ato físico.

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Guia lançado nos 20 anos da Lei Maria da Penha divide agressões em três níveis para facilitar o pedido de socorro antes do ato físico.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB-DF) lançou o Violentômetro Jurídico. A ferramenta pedagógica ensina mulheres a reconhecerem abusos psicológicos e patrimoniais antes que a violência descambe para o ato físico.

O guia já está disponível para consulta e atende vítimas de relacionamentos abusivos. A cartilha separa os atos violentos em três estágios de gravidade: Fique Atenta, Proteja-se e Fuja.

Como funciona a divisão dos abusos

O material mapeia comportamentos cotidianos e sentimentos associados a cada fase da agressão.

No primeiro nível, o alerta abrange proibições sobre roupas, controle de redes sociais e humilhações públicas. No estágio intermediário, surgem a violência patrimonial, a chantagem emocional e a coerção sexual. O nível crítico expõe a vítima a agressões físicas, ameaças com armas, abuso sexual e tentativa de assassinato.

O Violentômetro Jurídico nasce para dar nome ao que muitas mulheres ainda não conseguem identificar como violência. Ele mostra, de forma clara e didática, que a agressão não começa no tapa. Ela já começa na humilhação, no controle, na mentira. Ao reconhecer esses primeiros sinais, a mulher pode buscar ajuda antes que a situação se agrave. É um instrumento de prevenção e, sobretudo, de empoderamento.

Nildete Santana de Oliveira, diretora de Mulheres da OAB-DF

Nildete Santana de Oliveira, diretora de Mulheres da OAB-DF

O cenário da violência contra a mulher

O lançamento ocorreu durante as celebrações das duas décadas da Lei Maria da Penha, sancionada para punir agressões domésticas.

O país contabilizou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, o maior registro anual desde 2015. No Distrito Federal, os órgãos oficiais confirmaram 29 casos no mesmo período. A promotora de Justiça Cláudia Braga Núñez, do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), explica que a polícia local investiga mortes violentas de mulheres sob perspectiva de gênero desde a origem. Por isso, a taxa de enquadramento do crime atinge 60% na capital, contra 40% da média nacional.

A advogada Isabelle Duarte, presidente da Comissão de Combate à Violência Doméstica da OAB-DF, defende a educação continuada como barreira contra o machismo estrutural.

Onde buscar ajuda imediata

A vítima de maus-tratos pode acionar a central do Ligue 180 a qualquer hora para receber orientação e denunciar o agressor.

O atendimento indica serviços de saúde, medida protetiva de urgência — ordem judicial preventiva que afasta o agressor do convívio da vítima — e delegacias policiais. Em situações de perigo iminente, a ligação deve ir para o telefone 190 da Polícia Militar. O Brasil dispõe de 13 unidades da Casa da Mulher Brasileira em funcionamento, espaço que concentra apoio psicológico, social e jurídico.

Perguntas frequentes

Como funciona o Violentômetro Jurídico?
O Violentômetro Jurídico classifica a agressão contra a mulher em três fases progressivas: Fique Atenta, Proteja-se e Fuja. Ele ajuda a identificar condutas como controle de vestimenta, humilhação e violência patrimonial antes do ato físico.
Como acionar socorro em caso de violência doméstica?
A vítima pode ligar gratuitamente para o Ligue 180 para receber orientações jurídicas e registrar denúncias. Em casos de emergência com risco imediato, a orientação é telefonar para o número 190 da Polícia Militar ou procurar qualquer delegacia de polícia.
O que faz a Patrulha Maria da Penha?
A Patrulha Maria da Penha é um serviço das polícias militares que faz visitas periódicas e acompanha mulheres que obtiveram medidas protetivas de urgência concedidas pela Justiça, fiscalizando o cumprimento das determinações legais.

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