Estudo registra 71 mandatos femininos alvos de cassação
Vereadoras concentram a maior parte dos casos de perda de mandato no país, aponta levantamento do Instituto E Se Fosse Você.

Um levantamento do Instituto E Se Fosse Você revela que 71 mulheres sofreram cassação de mandato ou enfrentaram tentativas de perda do cargo público no Brasil entre 2015 e 2025. As ocorrências atingiram representantes em 19 unidades federativas.
A pressão institucional afeta diretamente mandatos conquistados nas urnas, com maior impacto na esfera municipal. As vereadoras somam 73% de todos os alvos mapeados pela pesquisa. Deputadas estaduais, distritais e federais concentram 20% dos episódios registrados. Não há alteração legal em trâmite, mas o mapeamento mostra a fragilidade jurídica vivenciada por parlamentares durante o exercício do cargo.
Concentração dos casos na esfera municipal
As Câmaras Municipais concentram a maior parte dos processos de cassação movidos contra parlamentares mulheres. Essa dinâmica coloca vereadoras em situação de vulnerabilidade constante no exercício da função pública.
A pesquisa apresentada na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) demonstra escalada recente nas investidas. Em 2015, nenhuma ocorrência entrou para as estatísticas. A partir de 2019, o número de procedimentos disparou no país, alcançando pico de 30 episódios em 2024. No ano de 2023, o estudo registrou 11 casos.
Perfil partidário e ideológico dos processos
O alinhamento partidário define o perfil das parlamentares perseguidas e dos agentes que movem as ações nas casas legislativas. A maioria dos ataques parte de grupos conservadores contra representantes de legendas de esquerda.
Cerca de 40% das políticas ameaçadas pertencem ao Partido dos Trabalhadores (PT) ou ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Na outra ponta, 70% dos autores de pedidos de cassação integram siglas de centro-direita ou direita, como o Partido Liberal (PL), União Brasil, Partido Progressistas (PP), Partido Social Democrático (PSD) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Homens cisgênero lideram 78% das iniciativas para derrubar essas parlamentares.
blockquote>Essa assimetria sugere que as cassações respondem a padrões estruturados de hostilidade político-ideológica contra mulheres progressistas, frequentemente orquestradas por bancadas conservadoras.
Instituto E Se Fosse Você, em relatório sobre violência política
Ocorrências intrapartidárias e disputas regionais
O relatório também mapeou disputas internas nas próprias siglas. O estudo identifica que divergências de posicionamento e disputas de poder local fazem com que o PT apareça tanto no grupo de vítimas quanto no de autores de processos.
A reação contra a presença feminina no poder público visa frear avanços conquistados por mulheres em espaços de decisão. A pressão ganha força quando essas parlamentares assumem pautas de gênero ou desafiam grupos políticos consolidados em suas regiões.
Perguntas frequentes
Qual cargo político é o mais atingido por cassações de mulheres?
Quais partidos concentram mais mulheres com mandatos ameaçados?
Quando começou o aumento de mandatos femininos cassados no Brasil?
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