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20h56
TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Processo

Estudo registra 71 mandatos femininos alvos de cassação

Vereadoras concentram a maior parte dos casos de perda de mandato no país, aponta levantamento do Instituto E Se Fosse Você.

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Vereadoras concentram a maior parte dos casos de perda de mandato no país, aponta levantamento do Instituto E Se Fosse Você.
Foto: Logo da Agência Brasil

Um levantamento do Instituto E Se Fosse Você revela que 71 mulheres sofreram cassação de mandato ou enfrentaram tentativas de perda do cargo público no Brasil entre 2015 e 2025. As ocorrências atingiram representantes em 19 unidades federativas.

A pressão institucional afeta diretamente mandatos conquistados nas urnas, com maior impacto na esfera municipal. As vereadoras somam 73% de todos os alvos mapeados pela pesquisa. Deputadas estaduais, distritais e federais concentram 20% dos episódios registrados. Não há alteração legal em trâmite, mas o mapeamento mostra a fragilidade jurídica vivenciada por parlamentares durante o exercício do cargo.

Concentração dos casos na esfera municipal

As Câmaras Municipais concentram a maior parte dos processos de cassação movidos contra parlamentares mulheres. Essa dinâmica coloca vereadoras em situação de vulnerabilidade constante no exercício da função pública.

A pesquisa apresentada na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) demonstra escalada recente nas investidas. Em 2015, nenhuma ocorrência entrou para as estatísticas. A partir de 2019, o número de procedimentos disparou no país, alcançando pico de 30 episódios em 2024. No ano de 2023, o estudo registrou 11 casos.

Perfil partidário e ideológico dos processos

O alinhamento partidário define o perfil das parlamentares perseguidas e dos agentes que movem as ações nas casas legislativas. A maioria dos ataques parte de grupos conservadores contra representantes de legendas de esquerda.

Cerca de 40% das políticas ameaçadas pertencem ao Partido dos Trabalhadores (PT) ou ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Na outra ponta, 70% dos autores de pedidos de cassação integram siglas de centro-direita ou direita, como o Partido Liberal (PL), União Brasil, Partido Progressistas (PP), Partido Social Democrático (PSD) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Homens cisgênero lideram 78% das iniciativas para derrubar essas parlamentares.

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Essa assimetria sugere que as cassações respondem a padrões estruturados de hostilidade político-ideológica contra mulheres progressistas, frequentemente orquestradas por bancadas conservadoras.

Instituto E Se Fosse Você, em relatório sobre violência política

Ocorrências intrapartidárias e disputas regionais

O relatório também mapeou disputas internas nas próprias siglas. O estudo identifica que divergências de posicionamento e disputas de poder local fazem com que o PT apareça tanto no grupo de vítimas quanto no de autores de processos.

A reação contra a presença feminina no poder público visa frear avanços conquistados por mulheres em espaços de decisão. A pressão ganha força quando essas parlamentares assumem pautas de gênero ou desafiam grupos políticos consolidados em suas regiões.

Perguntas frequentes

Qual cargo político é o mais atingido por cassações de mulheres?
As vereadoras representam a grande maioria dos alvos de cassação ou tentativas de perda de mandato no país. Segundo dados do Instituto E Se Fosse Você, 73% de todos os episódios registrados entre 2015 e 2025 ocorreram nas Câmaras Municipais brasileiras.
Quais partidos concentram mais mulheres com mandatos ameaçados?
As parlamentares filiadas ao Partido dos Trabalhadores e ao Partido Socialismo e Liberdade somam 40% das vítimas de processos de cassação identificados pelo levantamento do Instituto E Se Fosse Você.
Quando começou o aumento de mandatos femininos cassados no Brasil?
Os casos de perda de mandato contra mulheres começaram a subir expressivamente em 2019. O auge das tentativas e cassações ocorreu em 2024, quando a pesquisa registrou o recorde de 30 episódios.

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