Certidões de óbito da ditadura recebem causa de morte real
Ministério dos Direitos Humanos atualiza registros de vítimas do regime militar para oficializar assassinatos cometidos pelo Estado.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) entregou 24 certidões de óbito alteradas para parentes de vítimas da ditadura militar no Rio de Janeiro. A mudança oficializa as mortes causadas pela repressão estatal entre 1964 e 1985.
A alteração do documento atinge familiares de 434 pessoas mortas ou desaparecidas durante a ditadura. O registro original ocultava assassinatos e torturas sob causas falsas ou atestados omissos. Agora, o registro civil passa a declarar expressamente que o óbito ocorreu em decorrência de ação violenta praticada pelo Estado brasileiro. As regras cumprem normas vigentes fixadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela Comissão Nacional da Verdade (CNV).
Como funciona a correção dos documentos
A atualização do atestado decorre de uma força-tarefa entre o MDHC, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) e o Operador Nacional do Registro Civil de Pessoas Naturais. O procedimento altera o livro de registro nos cartórios sem custo para os parentes.
A correção atesta formalmente a responsabilidade das instituições públicas pelos crimes cometidos durante o regime militar. As entregas ocorrem de forma progressiva em capitais de todo o país.
blockquote>Mais do que um ato burocrático, é um reconhecimento do Estado brasileiro dos seus erros, pela primeira vez formalizados nesse documento. E, para as famílias, é um encerramento de ciclo finalmente.
Eugênia Gonzaga, presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos
Alcance das entregas e impacto financeiro
O governo emitiu 95 certidões para entrega no Rio de Janeiro, das quais 24 documentos foram repassados às famílias na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em âmbito nacional, o governo já corrigiu 400 certidões do total de 434 casos mapeados, acumulando 158 entregas presenciais desde 28 de agosto de 2025.
A alteração da certidão de óbito possui caráter estritamente declaratório e simbólico. O MDHC esclarece que a retificação do registro civil não concede automaticamente indenização financeira aos dependentes. Eventuais pedidos de reparação econômica seguem trâmites e legislações específicas, sem vínculo direto com a entrega do documento impresso.
Perguntas frequentes
A correção da certidão dá direito a receber indenização?
Não. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania esclarece que a retificação da certidão de óbito não gera pagamento automático de indenização. Os pedidos de reparação financeira por perseguição política dependem de processos administrativos e legislações próprias, tramitando de forma independente do registro de óbito.
O que muda na nova certidão de óbito das vítimas da ditadura?
O novo documento substitui informações falsas ou omissões do registro original. A certidão retificada traz o registro oficial de que a morte decorreu de violência praticada pelo Estado brasileiro durante o regime militar, cumprindo resoluções da Comissão Nacional da Verdade e do Conselho Nacional de Justiça.
Quantas certidões de óbito já foram corrigidas pelo governo?
O governo federal já corrigiu 400 certidões de um grupo de 434 pessoas reconhecidas como mortas ou desaparecidas durante a ditadura militar. Deste total, 158 documentos foram entregues em cerimônias presenciais realizadas em sete capitais brasileiras a partir de 28 de agosto de 2025.
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