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PLANTÃO

Violência policial motiva protocolo de atendimento do CNJ

19h36
FRI., 18 DE SET. DE 2026
Processo

Violência policial motiva protocolo de atendimento do CNJ

Medida inclui parentes como vítimas indiretas e cria etiqueta própria nos tribunais para monitorar mortes e desaparecimentos provocados por agentes do Estado.

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Medida inclui parentes como vítimas indiretas e cria etiqueta própria nos tribunais para monitorar mortes e desaparecimentos provocados por agentes do Estado.
Foto: Polícia Federal do Brasil. · CC0 · via Wikimedia Commons

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apresentou nesta quarta-feira (16 de setembro) um protocolo que reconhece parentes de pessoas mortas ou desaparecidas em ações policiais como vítimas indiretas da violência estatal.

O anúncio ocorreu durante o 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em São Paulo. O debate relembrou o caso da designer Kathlen Romeu, baleada aos 24 anos e grávida de três meses no Rio de Janeiro, em 2021. Policiais militares acabaram condenados por fraudar o local dos disparos para simular tiroteio.

O que muda nos tribunais

O Poder Judiciário passa a tratar parentes de mortos em operações de segurança como sujeitos com direito a atendimento humanizado e assistência direta. A regra busca evitar o isolamento de quem busca respostas sobre crimes cometidos por agentes públicos.

Para organizar o fluxo dos processos, o CNJ incluiu uma classificação específica nas Tabelas Processuais Unificadas (TPU), o catálogo padrão que os tribunais usam para etiquetar cada ação judicial no país. A etiqueta vai permitir rastrear crimes praticados por forças de segurança desde o inquérito inicial até a sentença.

O projeto integra o Programa Justiça Plural, executado pelo CNJ em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Isso vai nos trazer a possibilidade de qualificar nossas informações sobre o assunto, trazer uma resposta às pessoas afetadas, além de uma possibilidade de refletir sobre o papel do Judiciário.

Marina Rocha Cavalcanti, juíza auxiliar da Presidência do CNJ

Mortes e sumiços em alta

Em 2025, intervenções policiais deixaram 6.602 mortes no Brasil, dado que responde por 16% de todos os assassinatos violentos do território nacional. O país também somou 84.269 desaparecimentos no mesmo ano, uma alta de 3,6% diante do levantamento anterior.

O aumento contínuo de pessoas sumidas desde 2020 levantou suspeitas de pesquisadores sobre a prática de desaparecimento forçado executado por agentes armados.

Propostas contra a violência de Estado

O debate apontou a urgência de medidas concretas em regiões periféricas para frear as violações. Fransérgio Goulart, diretor executivo da Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial (IDMJRacial), defendeu intervenções em locais mapeados como cemitérios clandestinos, rastreamento do dinheiro do crime organizado e participação ativa das famílias na criação das políticas públicas.

O encontro reuniu também representantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), do Ministério Público Federal (MPF) e da organização IDEAS Assessoria Popular.

Perguntas frequentes

Quem é considerado vítima pela nova orientação do CNJ?
O protocolo do Conselho Nacional de Justiça reconhece os familiares de vítimas mortas ou desaparecidas em ações policiais como vítimas indiretas. A medida garante direito a acolhimento, resposta institucional qualificada e acompanhamento nos tribunais.
Como os tribunais vão identificar a violência policial nos processos?
O Conselho Nacional de Justiça criou uma marcação específica nas Tabelas Processuais Unificadas (TPU). Essa categoria obriga os cartórios e juizados a registrar crimes decorrentes de ações de agentes de segurança pública com etiqueta padronizada em todo o país.
Quantas mortes a polícia causou no Brasil em 2025?
Agentes de segurança pública foram responsáveis por 6.602 mortes no país em 2025, segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Esse volume representa 16% de todas as mortes violentas intencionais registradas no período.
Quando as regras do CNJ passam a vigorar nos fóruns?
O material de origem não informa o cronograma de implementação nem a data em que o protocolo passa a ser obrigatório em cada tribunal do país. A iniciativa faz parte do programa contínuo Justiça Plural.

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