Bolsonaro nega à Justiça envio de carta publicada por filho
Defesa afirma ao STF que ex-presidente não autorizou postagem de Flávio Bolsonaro. PGR tem cinco dias para se manifestar sobre possível volta à prisão.

A defesa de Jair Bolsonaro negou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-presidente sabia da publicação de uma carta escrita por ele nas redes sociais do filho. O esclarecimento atende a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, que investiga eventual quebra das regras da prisão domiciliar.
A controvérsia começou quando o senador Flávio Bolsonaro divulgou a mensagem feita pelo pai. Moraes reagiu imediatamente: suspendeu as visitas do parlamentar por 90 dias e lembrou que a proibição de uso da internet alcança também o envio de recados por meio de terceiros.
O argumento apresentado ao tribunal
Os advogados sustentam que o ex-presidente cumpre rigorosamente os termos do regime domiciliar e não orientou a divulgação da carta. Segundo a peça enviada à Justiça, não existiu combinação prévia nem intenção de driblar as proibições impostas pelas medidas cautelares em vigor.
A equipe jurídica assegurou ao STF que a conduta do ex-mandatário segue alinhada às exigências fixadas pelo tribunal.
O peticionário jamais buscou utilizar terceiros para contornar as restrições impostas por Vossa Excelência, permanecendo fiel ao cumprimento das cautelares desde o início do regime domiciliar humanitário, comprometendo-se a continuar observando rigorosamente todas as condições estabelecidas por esse juízo.
Defesa de Jair Bolsonaro, em petição ao STF
Defesa de Jair Bolsonaro, em petição ao STF
Manifestação da PGR e riscos de regressão
Com a resposta apresentada, o ministro Moraes abriu vista à Procuradoria-Geral da República (PGR). O órgão ministerial dispõe do prazo de cinco dias para emitir parecer técnico informando se considera que a restrição de comunicação foi violada.
A manifestação da PGR servirá de base para a avaliação final do relator. Se Moraes entender que ocorreu infração das regras impostas, o ex-presidente corre o risco de perder o benefício do recolhimento domiciliar e ser transferido para o Presídio da Papudinha, em Brasília.
Entenda o histórico da condenação
O ex-presidente cumpre pena após ser condenado a 27 anos e três meses de prisão pelo envolvimento na tentativa de golpe de Estado. A transferência do regime fechado para o domiciliar ocorreu por razões de saúde, após uma intervenção cirúrgica e o tratamento de uma pneumonia bacteriana.
A concessão da prisão domiciliar humanitária impôs restrições severas. A proibição do uso de redes sociais é uma das principais condições para a manutenção da medida.
Perguntas frequentes
Por que Jair Bolsonaro corre o risco de voltar ao presídio?
Qual foi a sanção aplicada ao senador Flávio Bolsonaro?
Qual é o prazo para a PGR se pronunciar sobre o caso?
Por qual motivo o ex-presidente cumpre pena em casa?
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