Pular para o conteúdo
Assine o boletim Publique seu artigo Anuncie 11/08/2026Entrar
PLANTÃO

Alcolumbre exige comissões para analisar PEC da escala 6x1

20h56
TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Criminal

ONU cobra do Brasil punição para Crimes de Maio de 2006

Especialistas das Nações Unidas afirmam que os assassinatos de mais de 500 pessoas em São Paulo constituem violações graves e não podem prescrever.

Por
𝕏 f
Especialistas das Nações Unidas afirmam que os assassinatos de mais de 500 pessoas em São Paulo constituem violações graves e não podem prescrever.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) cobraram do governo brasileiro a punição dos responsáveis e a reparação às famílias das vítimas dos Crimes de Maio de 2006. O posicionamento oficial ocorreu em comunicado emitido na última sexta-feira (29).

A manifestação não altera de forma imediata as ações judiciais em andamento no país, mas aumenta a pressão diplomática sobre o Estado. A entidade internacional declarou que os homicídios do período configuram graves violações de direitos humanos e não podem sofrer prescrição, que é a perda do prazo legal para punir um crime.

O que foram os Crimes de Maio

A onda de violência começou após o governo paulista transferir mais de 760 detentos para um presídio de segurança máxima, incluindo lideranças da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). A transferência desencadeou rebeliões simultâneas em mais de 700 presídios do estado de São Paulo e ataques armados nas ruas.

Nos dias subsequentes, a reação das forças de segurança resultou em mortes em massa. Dados apurados pelo Laboratório de Análises da Violência da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostram que o conflito deixou 564 mortos. O relatório registra o assassinato de 505 civis e de 59 agentes públicos. A maioria das vítimas civis era composta por jovens negros e pobres, com sinais claros de execução praticada por policiais.

Entidades cobram resposta do Estado

A denúncia que mobilizou a ONU partiu da organização Conectas Direitos Humanos e do Movimento Independente Mães de Maio. As entidades enviaram um apelo urgente para expor a falta de apuração sobre as execuções e a ausência de indenizações. Em reação à paralisia das investigações, familiares das vítimas lançaram a segunda fase do Tribunal Popular, um julgamento simbólico para denunciar a violência de Estado.

blockquote>

O número muito reduzido de condenações até o momento aprofundou a impunidade e minou o direito à verdade.

Especialistas da Organização das Nações Unidas

O painel de especialistas cobrou que o Brasil siga padrões internacionais de perícia, como o Protocolo de Minnesota, para investigar mortes causadas por agentes públicos. Segundo o posicionamento, classificar os assassinatos como prescritos agrava o sofrimento das famílias e perpetua a violência racial na polícia.

O que diz o governo paulista

Em nota oficial, a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) afirmou que todas as mortes decorrentes de intervenção policial no estado passam por investigação rigorosa. A SSP-SP declarou que as apurações contam com acompanhamento das corregedorias, do Ministério Público e do Poder Judiciário, com análise técnica e pericial de cada caso.

Perguntas frequentes

Os Crimes de Maio de 2006 prescreveram?
Segundo especialistas da Organização das Nações Unidas, os homicídios do caso constituem graves violações de direitos humanos e não podem prescrever. No entanto, o material original não detalha se a Justiça brasileira já extinguiu formalmente a possibilidade de punição de algum dos envolvidos.
Quem foram as principais vítimas dos Crimes de Maio?
O estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro registrou 564 mortes no episódio. Desse total, 505 eram civis, majoritariamente jovens, negros e moradores de periferias. Outros 59 mortos eram agentes públicos atingidos nos confrontos com o Primeiro Comando da Capital.
O que a ONU exige do governo brasileiro?
A Organização das Nações Unidas exige investigações isentas sobre as mortes, punição dos agentes públicos envolvidos e reparação às famílias das vítimas. Os especialistas orientam o uso do Protocolo de Minnesota para periciar assassinatos cometidos por forças policiais.
Como o governo de São Paulo respondeu às cobranças da ONU?
A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo afirmou que todas as mortes por intervenção policial recebem apuração rigorosa. A pasta informou que as investigações se baseiam em laudos técnicos e periciais, sob acompanhamento do Ministério Público, do Judiciário e das corregedorias.

Leia também