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20h56
TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Processo

CNJ afasta juíza Gabriela Hardt do cargo por 2 anos

Punição atinge ex-substituta de Sergio Moro na Lava Jato por homologar acordo de R$ 2 bilhões com a Petrobras.

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Punição atinge ex-substituta de Sergio Moro na Lava Jato por homologar acordo de R$ 2 bilhões com a Petrobras.
Foto: Luiz Silveira/CNJ

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) puniu a juíza federal Gabriela Hardt com o afastamento do cargo pelo prazo de dois anos. A sanção administrativa reduz os vencimentos da magistrada proporcionalmente durante o período em que ela ficará fora das funções.

Entenda a punição aplicada pelo CNJ

A punição aprovada pelo CNJ aplica a pena de disponibilidade com salários reduzidos. Isso impede Gabriela Hardt de exercer a magistratura na 23ª Vara Federal de Curitiba pelos próximos dois anos. A medida decorre de faltas disciplinares cometidas em 2019 durante a validação de repasses bilionários.

A punição é resultado de um processo administrativo disciplinar instaurado para apurar a conduta de Gabriela Hardt na época em que atuava como substituta na 13ª Vara Federal de Curitiba. Naquele período, a magistrada assumiu os processos da Operação Lava Jato após a saída do titular e validou o repasse de verbas obtidas em acordos internacionais.

O que envolveu o acordo de R$ 2 bilhões

O acerto previa destinar R$ 2 bilhões pagos pela Petrobras nos Estados Unidos para criar uma fundação privada de combate à corrupção. O fundo seria gerido pelos próprios integrantes da força-tarefa da Lava Jato, ficando conhecido informalmente como Fundação Dallagnol.

A maioria dos membros do conselho acompanhou a posição divergente apresentada pelo conselheiro Rodrigo Badaró. O relator avaliou que a magistrada deixou de adotar cautelas essenciais ao autorizar que recursos públicos fossem repassados para a gestão de uma entidade privada.

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Não está em discussão a grossa corrupção que houve e foi apurada pela Operação Lava Jato. Mas, o que está em discussão é que não se combate irregularidade cometendo irregularidade.

Edson Fachin, presidente do CNJ e do STF

A manifestação de Edson Fachin, presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ocorreu no encerramento da votação. Em 2019, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, já havia suspendido a criação da fundação atendendo a um pedido da Procuradoria-Geral da República.

Como a defesa da magistrada se posicionou

A defesa sustentou durante o julgamento que Gabriela Hardt agiu pautada pela legalidade e na convicção de que o Ministério Público Federal e a Petrobras detinham legitimidade para assinar o acordo. Segundo a advogada da magistrada, eventuais erros de interpretação judicial deveriam ser contestados por meio de recursos cabíveis no próprio processo, sem caracterizar falta punível na esfera administrativa.

A decisão do conselho foi proferida nesta terça-feira (4) e impõe o cumprimento do afastamento compulsório previsto nas normas da magistratura nacional.

Perguntas frequentes

Quem é a juíza Gabriela Hardt?
Gabriela Hardt é uma juíza federal que atuou como substituta na 13ª Vara Federal de Curitiba durante as investigações da Operação Lava Jato. Atualmente, exercia a função de juíza substituta na 23ª Vara Federal de Curitiba antes da punição imposta pelo Conselho Nacional de Justiça.
Por que o CNJ afastou Gabriela Hardt?
O Conselho Nacional de Justiça afastou a magistrada por entender que ela cometeu infração disciplinar ao homologar um acordo de R$ 2 bilhões entre Petrobras e Lava Jato. O plenário considerou que faltou cuidado mínimo ao autorizar o envio de verbas públicos a uma fundação privada.
Como fica o salário de Gabriela Hardt durante o afastamento?
A magistrada cumprirá a pena de disponibilidade com vencimentos proporcionais. Isso significa que Gabriela Hardt continuará recebendo remuneração do Judiciário Federal durante os dois anos de afastamento, mas com uma redução no valor total recebido mensalmente.
O acordo de R$ 2 bilhões chegou a ser executado?
Não. Em 2019, a decisão de homologação do acordo tomada por Gabriela Hardt foi suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, após a Procuradoria-Geral da República recorrer contra a destinação dos valores para a criação da fundação.

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