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20h56
TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Processo

CNJ analisa regras contra conflito de interesses de juízes

Proposta do ministro Edson Fachin limita presentes e eventos privados, além de disciplinar atuação de escritórios de parentes de magistrados.

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Proposta do ministro Edson Fachin limita presentes e eventos privados, além de disciplinar atuação de escritórios de parentes de magistrados.
Foto: G. Dettmar/ CNJ

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vota nesta terça-feira (4) a proposta que impõe limites severos à conduta de magistrados em todo o país. O texto atinge juízes e desembargadores que participam de eventos corporativos, recebem presentes ou possuem familiares na advocacia.

A norma, chamada de Política Nacional de Prevenção e Gestão de Conflitos de Interesses, partiu do presidente do órgão, ministro Edson Fachin. A medida barra a aceitação de favores e busca regulamentar a atuação de escritórios de advocacia mantidos por parentes de magistrados dentro dos tribunais.

O que muda na rotina dos magistrados

Juízes e desembargadores de todas as instâncias do Judiciário brasileiro terão restrições diretas no relacionamento com o setor privado. A regra não tem efeito retroativo e depende de aprovação do plenário do CNJ para entrar em vigor.

Hoje, o magistrado que aceita convites para congressos custeados por empresas privadas ou possui parentes advogando no mesmo tribunal opera sem um regramento unificado. Com a aprovação da proposta, o CNJ estabelece critérios objetivos para proibir o recebimento de presentes, viagens e a interferência de escritórios familiares.

Fim da aposentadoria remunerada como pena

A pauta da sessão de terça-feira (4), agendada para as 10h, inclui a eliminação da aposentadoria compulsória como punição máxima administrativa. A mudança adequa o regimento do conselho ao entendimento recente fixado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Antes do julgado da Suprema Corte, o magistrado punido por faltas graves — como venda de sentenças, assédio moral ou assédio sexual — saía do tribunal, mas continuava recebendo vencimentos mensais proporcionais. Pelo novo procedimento, após a condenação disciplinar pelo CNJ, a Advocacia-Geral da União (AGU) aciona o STF em ação própria para que o Supremo determine a perda definitiva do cargo sem salário.

Desde a criação do conselho em 2005, a instituição puniu 126 magistrados com a aposentadoria compulsória ao longo de 20 anos. As decisões seguiam a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), legislação que previa o pagamento proporcional como sanção mais rigorosa da via administrativa.

Código de ética interno no STF

A iniciativa no CNJ acompanha movimento semelhante no Supremo Tribunal Federal. O presidente do tribunal indicou a ministra Cármen Lúcia como relatora do projeto que cria o inédito Código de Ética para os ministros da corte.

A elaboração do texto interno ganhou prioridade após apurações sobre o Banco Master registrarem citações aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. A proposta visa estabelecer parâmetros claros de transparência para evitar o questionamento sobre a imparcialidade das decisões do STF.

Perguntas frequentes

O juiz punido perde o salário imediatamente?
Não de forma automática na via administrativa. O Conselho Nacional de Justiça aplica a condenação disciplinar, mas a perda do cargo e do salário depende de uma ação movida pela Advocacia-Geral da União no Supremo Tribunal Federal. Enquanto o STF não decide o processo final, o pagamento não é cortado.
Parentes de juízes podem advogar no mesmo tribunal?
A nova proposta do Conselho Nacional de Justiça regulamenta e restringe a atuação de escritórios de advocacia mantidos por parentes de magistrados nos tribunais onde eles atuam. O objetivo é evitar o favorecimento e garantir a imparcialidade dos julgamentos no Poder Judiciário.
O que acontece com os magistrados aposentados compulsoriamente no passado?
As novas regras não retroagem para atingir decisões antigas. Os 126 magistrados punidos pelo Conselho Nacional de Justiça com aposentadoria compulsória nos últimos 20 anos continuam recebendo seus vencimentos proporcionais, pois as punições foram aplicadas sob a vigência da legislação anterior.
O Supremo Tribunal Federal terá regras de ética próprias?
Sim. O Supremo Tribunal Federal tramita um projeto para criar seu próprio Código de Ética. A ministra Cármen Lúcia é a relatora da proposta, encarregada de definir os parâmetros de conduta e transparência para os ministros do tribunal.

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