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20h56
TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Processo

TSE nega uso de urnas venezuelanas nas eleições

Órgão desmente declarações do senador Flávio Bolsonaro e reforça que a empresa Smartmatic prestou apenas serviços de conexão de dados.

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Órgão desmente declarações do senador Flávio Bolsonaro e reforça que a empresa Smartmatic prestou apenas serviços de conexão de dados.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reafirmou nesta quarta-feira (22) que a empresa venezuelana Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas ou programas de votação para o Brasil. A manifestação pública rebate declarações do senador Flávio Bolsonaro feitas durante um evento internacional.

Na prática, a declaração não altera as regras de votação nem o calendário eleitoral. O sistema de apuração brasileira segue gerido exclusivamente pela Justiça Eleitoral, sem dependência de tecnologia de votação da empresa sul-americana.

O histórico de contratos com a empresa

O TSE esclareceu que a Smartmatic prestou serviços específicos ao tribunal focados na transmissão de dados e voz. Em nenhuma ocasião a companhia desenvolveu sistemas de votação ou operou o software dos equipamentos de apuração.

Para o pleito de 2020, a empresa participou da concorrência pública de fabricação de novas urnas, mas perdeu a disputa para a fabricante Positivo. Todo o projeto dos aparelhos permanece sob desenvolvimento direto de servidores da Justiça Eleitoral por meio de licitações públicas abertas.

A página Fato ou Boato, canal oficial de checagem do tribunal, relembrou comunicados emitidos para conter informações falsas que circulam no país desde 2017.

Em diversas oportunidades, o TSE reiterou que a empresa Smartmatic não forneceu nem fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras, tampouco trabalhou na programação desses aparelhos

Tribunal Superior Eleitoral, comunicado oficial

Tribunal Superior Eleitoral, comunicado oficial

O relatório da CIA citado pelo senador

A controvérsia renasceu após discursos do pré-candidato do Partido Liberal (PL) durante o encontro Debating Brazil, organizado pelo portal The Brazilian Report e pela Novo Selo Comunicação. Na reunião com diplomatas, o parlamentar citou um documento desclassificado da Agência Central de Inteligência (CIA), dos Estados Unidos.

O documento norte-americano analisa denúncias sobre os processos eleitorais na Venezuela ocorridos entre 2004 e 2020. O relatório original da inteligência não concluiu pela existência de fraudes eletrônicas em larga escala no país vizinho, apontando outros fatores para explicar os resultados das urnas venezuelanas.

O posicionamento da pré-campanha

Em nota oficial, a coordenação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro declarou que o senador não colocou em dúvida a integridade das votações no Brasil. Segundo o comunicado, o parlamentar relatou fatos públicos e defendeu a presença de observadores internacionais.

O comunicado da equipe do senador não apresentou justificativas para a informação incorreta prestada sobre o fornecimento de urnas pela Smartmatic ao sistema brasileiro.

Perguntas frequentes

A empresa Smartmatic já forneceu urnas para o Brasil?
Não. O Tribunal Superior Eleitoral nega qualquer fornecimento de urnas ou softwares pela Smartmatic. A empresa prestou apenas serviços de transmissão de voz e dados para a Justiça Eleitoral brasileira, além de ter sido derrotada na licitação de fabricação de equipamentos em 2020.
Quem fabrica as urnas eletrônicas brasileiras?
As urnas eletrônicas são projetadas por técnicos do Tribunal Superior Eleitoral e fabricadas por empresas contratadas via licitação pública. Na licitação realizada para o pleito de 2020, por exemplo, a empresa Positivo venceu a concorrência para a fabricação dos equipamentos.
O que diz o relatório da CIA sobre as urnas?
O relatório da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos analisou denúncias de fraudes nas eleições venezuelanas entre 2004 e 2020, mencionando a Smartmatic. O documento da inteligência norte-americana não concluiu que ocorreram fraudes eletrônicas em larga escala nos pleitos analisados naquele país.

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