TSE busca acordo sobre uso de IA nas eleições de 2026
Ministros se reúnem a portas fechadas após ação contra vídeo sintético de Jair Bolsonaro exibido em convenção partidária

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, reúne os integrantes da Corte nesta quinta-feira (13 de agosto) para fixar a posição do tribunal sobre o uso de inteligência artificial nas eleições.
O encontro a portas fechadas ocorre após a sessão matutina de julgamentos. O relator busca consenso antes de levar ao plenário a ação movida pelo Partido dos Trabalhadores (PT) contra o Partido Liberal (PL).
O processo que motivou a reunião
A discussão começou após a convenção realizada em 25 de julho, que confirmou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. No evento, o partido transmitiu uma gravação criada por inteligência artificial com a voz e o rosto do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar e não pode dar declarações públicas.
O arquivo usou a tecnologia conhecida como deepfake, que gera mídias sintéticas hiper-realistas. A transmissão abriu com um aviso explícito sobre a simulação.
Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu. Isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com inteligência artificial
Jair Bolsonaro, em vídeo sintético exibido na convenção do PL
Jair Bolsonaro, em vídeo sintético exibido na convenção do PL
Na sequência da gravação, a imagem gerada por computador criticou a prisão do ex-presidente e pediu apoio à candidatura do filho.
As alegações do PT e a defesa do PL
O PT acionou a Justiça Eleitoral sob o argumento de que a transmissão violou as regras aprovadas pelo TSE para o pleito de 2026. A legenda afirma que a gravação fez menção direta ao cargo em disputa e trouxe pedido explícito de voto com material sintético.
A defesa de Flávio Bolsonaro nega ilegalidade. Os advogados sustentam que o aviso inicial impediu que o público fosse enganado. A campanha também alega que o conteúdo não configurou pedido explícito de votos nem se tratou de montagem enganosa.
O que muda na prática para as campanhas
A reunião de quinta-feira não altera regras de forma imediata, pois o encontro serve apenas para alinhar a jurisprudência interna da Corte. O julgamento do caso no plenário definirá se o uso de áudio e vídeo gerados por inteligência artificial, mesmo com aviso prévio de simulação, pode cassar registros ou gerar sanções às candidaturas em 2026.
Perguntas frequentes
Qual é o motivo da reunião do TSE sobre inteligência artificial?
O que o PT alega na ação contra o PL?
Qual é a defesa da candidatura de Flávio Bolsonaro?
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